Sobre o “debate dos debates” para as presidenciais…

Posted: 01/01/2011 in Acção!

Recebi um mail de um amigo com um comentário reenviado de Francisco Costa Duarte que achei por bem reproduzir aqui. Está relacionado com aquele que seria o debate com maiores expectativas para o esclarecimento das posições dos dois principais candidatos à presidência. Digo principais tão somente porque são os que têm atrás de si as maiores máquinas partidárias, com tudo o que isso significa…

Amigos,

Isto é um vício como o tabaco: em vez de vos mandar um qualquer postal a desejar-vos um bom novo ano, blá, blá, dá-me para vos enviar um comentário/opinião sobre o debate entre Alegre e Cavaco!

Que desilusão para tantos portugueses, que para mim é mais do mesmo! Que falta de nível, de ideias, de esperança! Falaram do resolver dos problemas do dia a dia dos portugueses? Não! Falaram de outro modelo de vida e de sociedade? Não! Discutiram os macros problemas da Economia, Justiça, etc. e do modo de ajudarem a resolvê-los? Nicles! Este debate não dá esperança de melhor futuro, seja a visão de esquerda, de direita ou do centro. É, apenas, mais do mesmo!

Tenho algum respeito por Manuel Alegre que tem um passado de ideias, com algumas das quais me identifico. Mas: acho que está velho demais para romper com o que é necessário romper e há 30 anos que anda a puir o fundo das calças, sentado na Assembleia comodista e no sistema que nos enterra, mesmo que com uns espirros de consciência! Na melhor das hipóteses, é um mal menor!

Não tenho o mesmo respeito por Cavaco Silva, com quem, por mais esforço que faça, não me consigo identificar minimamente porque me parece um “santo” de pau muito carunchoso: diz não ser político mas é o que tem mais tempo de altas funções políticas (16 ou 17 anos de Ministro, 1º Ministro e Presidente, para não falar de outros cargos); diz saber como resolver os problemas mas nunca pôs em prática a sua sapiência; diz que devemos ir para as actividades do mar mas foi ele que as liquidou; diz que a educação é importante mas foi ele que eliminou avaliações e impediu a cultura do mérito; apela às indústrias culturais mas foi ele que correu com o Saramago, reconhecido internacionalmente; diz que a despesa pública deve descer mas foi ele que criou o “monstro”; critica as obras públicas mas foi ele que originou a política do betão e os respectivos interesses; diz-se a favor da transparência mas não repudia os seus amigos do BPN nem explica os seus próprios lucros nessa confusão, além de todos nos devermos lembrar do regabofe dos jipes e dos cursos fantasmas com dinheiros do Fundo Social Europeu, Feder e Feoga vindos da Europa; diz estar solidário com os mais pobres mas acumula 3 reformas (sem ter feito os descontos correspondentes e logo escandalosas) com o ordenado de Presidente; faz-se parecer não arrogante, como Sócrates (que aponta o dedo, o que é feio) mas passa a vida a dizer que ele é que sabe (entre duas fatias de bolo rei de boa aberta, o que também é feio); o modelo de economia de que se orgulha não cresce há 10 anos; Chega? Com muitos Santos destes a Igreja Católica já tinha desaparecido há muito! Um aparte: numa reunião que tive há pouco tempo, por razões de acção cívica, com um autarca importante de um Município importante, ouvi da sua boca uma grande parte disto que acima digo. O autarca em questão é da mesma área do Sr. Cavaco! Vejam onde já está o prestígio de quem quer ser Presidente em nome dos portugueses “bons”!

É por tudo isto que não vos mando um dos tais postais genéricos de desejos de bom ano de 2011, blá, blá. Só vos posso desejar que, pessoalmente se safem bem no Novo Ano.

Um abraço do

Francisco Costa Duarte

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