Pais: Eduquem os vossos filhos para a escola!

Posted: 19/02/2009 in Acção!, Educação, Pais

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Sobre um certo tipo de relacionamento que alguns pais têm com a escola dos filhos, é interessante ler este texto de Miguel de Araújo Camelo, postado no blog “O Pão e a Razão”.

A Culpabilidade das Vítimas

“Professores utilizam alunos na luta política” era o título sugestivo do comunicado da CONFAP que recebi hoje. Parecia prometedor mas… afinal referia-se apenas à decisão tomada por 143 professores e educadores de Paredes de Coura de cancelar a “quase totalidade das actividades previstas para este ano lectivo que envolvam a comunidade ou que impliquem qualquer deslocação”, e à indignada reacção da Associação de Pais do agrupamento. 

Os professores de Paredes de Coura causaram tamanha reacção, não pelo seu autruismo quando iniciaram estes projectos, mas sim quando decidiram acabar com a injustiça a que eles próprios se tinham sujeitado. Estes homens e mulheres decidiram terminar com horas de trabalho não reconhecido, com o trabalho extraordinário necessário para compensar o tempo destas actividades, com despesas não reembolsadas, com uma função social que desempenham gratuitamente porque não há meios nas escolas. Estes homens e mulheres decidiram romper com aquilo a que se haviam comprometido nos últimos anos e que consistia em “algo a troco de nada”. Passaram a exigir o seu direito de ver reconhecido (e pago) o trabalho e esforço que desenvolvem e, só por isso, chamaram a atenção sobre si.

Mas ao invés de chamarem a atenção dos justos, provocaram antes a indignação das almas que eles próprios ajudaram a produzir. Estes são os pais que a sociedade do “algo em troca de nada” produz. Uma sociedade que reivindica direitos adquiridos no berço sem se preocupar com quem paga; que proclama a necessidade de obter e ignora a habilidade de criar; que acredita que o consumo é que gera produção ou que a desgraça é a maior virtude e que o sucesso o pior defeito. 

Uma sociedade e uns pais que, depois de acarinhados “à borla” e à custa do trabalho de outros, se viram para os (supostos) benfeitores em vez de denunciarem as injustiças, é uma sociedade e são uns pais que não têm futuro. Os seus filhos exigirão ainda mais e estarão dispostos a contribuir ainda menos.

Este tipo de altruísmo instala a injustiça, normaliza o “algo em troca de nada” e transforma o “bem comum” em prejuizos individuais. Promove o direito sem dever, o consumo sem produção, a riqueza sem esforço. Promove uma sociedade canibal que maltrata e enxovalha os altruístas quando estes nada mais têm para dar, porque a dádiva se torna a norma, e a sua falta implica infracção.

Numa sociedade justa, o “bem comum” é – e tem de ser – a soma de todos os bens individuais, um bem comum perfeitamente indentificável e objectivamente quantificável. Uma sociedade justa terá de retribuir e reconheçer os que para ela contribuem e a estes prestará homenagem. O bem individual de cada um será a recompensa pela sua contribuição para a sociedade que necessita do que cada individuo lhe disponibiliza. Essa será a sociedade livre e justa, em que todos beneficiam do trabalho de cada um, e em que ninguém vive para ninguém nem às custas de ninguém. O contrário não só promove a miséria, como a termo transformará os mais capazes em miseráveis, porquanto esse será o código moral pelo qual serão recompensados.

A Razão, a mente e inteligência são ferramentas poderosas que garantem ao Homem a sua sobrevivência. As escolas e os Professores são recursos valiosíssimos de qualquer sociedade. Quando eles próprios se valorizarem dessa forma, e se fizerem recompensar nessa medida, a injustiça deixará de ser possível.

Na injustiça intervêem os “predadores” e as “vítimas”. Os primeiros defendem-na no seu próprio interesse. Os segundos possibilitam-na ao abrigo de um código moral contra natura, que lhes é apregoado pelos primeiros. Eduquem-se as mentes e não haverá vítimas. Acabem-se com as vítimas e não haverá injustiça. Os “predadores” não terão outro remédio senão virar-se uns contra os outros.”

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Comentários
  1. MC diz:

    Grato pela referência. Confesso que não esperava vêr o texto num blog que suponho seja de professor.

    Cump

  2. rosa maria da silva diz:

    gostaria de ver alguns conteudo do livro Pais: eduquem vossos filhos para a escola!
    … para que a escola os possa educar para o mundo.

  3. Protesto Gráfico diz:

    Cara Rosa, não se trata de um livro mas apenas de um apelo em forma gráfica para que os pais incutam nos filhos o gosto e o respeito pela escola!
    A crise no sistema educativo tem origem em casa com uma ausência de transmissão de valores de pais para filhos. Os jovens demonstram grandes dificuldades nas aptidões mais básicas, desde o saber estar numa sala de aula, o respeito pelos professores e pelos seus colegas, a noção de brio e empenho no trabalho. Normalmente ambos os pais trabalham e estão ausentes e as crianças ficam entregues a si próprias e à escola, transformada em depósito de jovens. Tudo isto é ciclo vicioso… Os valores éticos que prepararão os jovens para a vida em sociedade têm de começar a ser incutidos em casa.

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