Arquivo de Março, 2009

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Outra vez??… Que atracção será esta entre os ovos e a ministra da Educação? 

Desta vez foi em Felgueiras. Parece que a ministra fez uma visita relâmpago à escola local mas nem mesmo assim escapou às “ofertas” de vários alunos que aparentemente se esgueiraram para ir comprar uns ovitos num supermercado das proximidades. Alunos ingratos! Depois de tudo o que a senhora fez por eles! Nem com as facilidades todas que a ministra ofereceu (as novas oportunidades, o regime permissivo das faltas, os exames fáceis, a desautorização dos professores, a complacência perante os casos de violência e indisciplina) estes pirralhos se mostram agradecidos!…

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Pois é. Tenham medo… muito medo. Ou melhor ainda, acordem! Só a existência de uma campanha negra é que pode explicar o insucesso tão notório e endémico do nosso país. Só que a campanha é da parte da tutela política e das elites que, desgraçadamente, permitimos que se instalassem no poder. E o alvo somos nós. A Clara Ferreira Alves escreveu certeiro e demolidor sobre a questão da justiça que é um dos pilares fundamentais de qualquer estado dito de direito…

“Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido. 

Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, desde o 25 de Abril distribui casas de RENDA ECONÓMICA – mas não de construção económica – aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a “prostituir-se” na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos. 

Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora contínua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido. Para garantir que vai continuar burro o grande cavallia (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades. 

Gente assim mal formada vai aceitar tudo e o país será o pátio de recreio dos mafiosos. 



A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca. 

Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo “normal” e encolhem os ombros. Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada. 

Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas Consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado. 

Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve. 

Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são “abafadas”, como se vivêssemos ainda em ditadura. 

E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade. 



Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém quem acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos? 

Vale e Azevedo pagou por todos? 

Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida? 

Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático? 

Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico? 

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana? 

Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal? 



Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma. 

No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém? 

As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância. 

E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou? 

E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente “importante” estava envolvida, o que aconteceu? 

Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu. 

E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente “importante”, jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê? 

E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára? 

O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha. 

E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina? 

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca. 



Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento. 



Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade. 

Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os “senhores importantes” que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra. 



Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças , de protecções e lavagens , de corporações e famílias , de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade. 

Este é o maior fracasso da democracia portuguesa”



Clara Ferreira Alves – “Expresso”

 

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No Encontro Nacional de Professores em Luta discutiu-se a sugestão do Movimento Mobilização e  Unidade dos Professores, veículada pelo seu coordenador, Ilídio Trindade, de criar um crachá anti-PS, devido às políticas persecutórias que este governo tem levado a cabo face aos professores e, verdade seja dita, a todos os funcionários públicos e trabalhadores em geral. Reafirmou-se nesse encontro a ideia que circula há já algum tempo, de que uma nova maioria absoluta nas próximas legislativas teria consequências (ainda mais) negativas para o país. Alguma comunicação social empolou a história do crachá que é sem dúvida secundário, face às importantes deliberações aprovadas no encontro e que fazem parte do comunicado final. Da parte do professor que sou e que me toca, simpatizo com a ideia do crachá e, por isso, proponho aqui alguns “modelos” para uso e abuso de quem se identificar com a mensagem.

E para que não venha ninguém dizer que estou a ser “instrumentalizado” pelo partido X ou sindicato B, reafirmo aqui a minha confissão de que fui um dos eleitores que contribuiu para esta maioria absoluta, facto pelo qual já pedi, a quem me quis ouvir, as minhas mais sinceras desculpas.

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A avaliação docente tem sido, até agora, o principal foco de luta dos professores. Uma avaliação tipo empresarial, completamente desajustada da realidade humana que caracteriza a escola, foi sendo desbastada pela incontornável constatação dos seus absurdos, até se transformar apenas numa casca oca para consumo propagandístico. O novo modelo de gestão escolar, de cariz unipessoal, foi passando mais ou menos despercebido e é, no fundo, tanto ou mais gravoso do que esta avaliação. Com este novo modelo, os professores pura e simplesmente deixam de poder intervir nos destinos da escola a que dedicam os seus esforços e energias. Nem sequer o poderão fazer na vertente pedagógica, uma vez que perdem o direito de eleger os seus representantes nos Conselhos Pedagógicos. Esta motivação governamental para “fomentar o aparecimento de lideranças fortes” mais não é do que uma forma encapotada de promover o aparecimento de agentes dóceis e cordatos às políticas do ministério, eliminando todas as hipóteses de resistência e de discórdia.

A direcção colegial e democrática das escolas, com todos os defeitos que se lhe poderão apontar, foi uma das principais conquistas do regime democrático. Parece que há um certo número de pessoas que está convicto que a democracia, num sentido lato, é um empecilho ao exercício do poder. Mas como acabar com a democracia é “politicamente incorrecto”, tenta-se manter, na sociedade em geral e nas escolas em particular, uma aparência de democracia sustentada de facto por um “manda quem pode e obedece quem deve”.

Foi você que pediu um ditador na sua escola?…

Mulheres e Homens

Posted: 09/03/2009 in Humanidade

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O Dia Internacional da Mulher, assinalado ontem, veio relembrar-me o atraso em que ainda estamos mergulhados quanto a uma verdadeira igualdade de direitos e oportunidades entre os sexos. Ao considerar-se esta efeméride, sempre achei uma estupidez a não existência de um Dia Internacional do Homem. Afinal andamos os dois, mulheres e homens, metidos nesta embrulhada que é a existência humana. Sempre tratei as mulheres como iguais pela simples razão de que nunca encontrei nenhuma justificação, argumento ou até mesmo sensibilidade para pensar de outro modo. É certo que a discriminação existe e é em alguns casos violenta. Como em muitas outras formas de discriminação, não se trata fundamentalmente de uma questão de sexos, raças ou classes sociais… Trata-se quase sempre da necessidade de exercer poder sobre o outro, seja por medo, ignorância, crueldade, inveja ou por qualquer outro dos numerosos defeitos de que a humanidade padece.

Deixo assim aqui a utópica proposta da criação de um Dia Mundial do Ser Humano. Mulheres e Homens… sejamos então, fundamentalmente e acima de tudo, Humanos!