Foi você que pediu?… É que eu não!

Posted: 12/03/2009 in Escola, Gestão escolar, Indignação

srdirector2

©ProtestoGráfico

A avaliação docente tem sido, até agora, o principal foco de luta dos professores. Uma avaliação tipo empresarial, completamente desajustada da realidade humana que caracteriza a escola, foi sendo desbastada pela incontornável constatação dos seus absurdos, até se transformar apenas numa casca oca para consumo propagandístico. O novo modelo de gestão escolar, de cariz unipessoal, foi passando mais ou menos despercebido e é, no fundo, tanto ou mais gravoso do que esta avaliação. Com este novo modelo, os professores pura e simplesmente deixam de poder intervir nos destinos da escola a que dedicam os seus esforços e energias. Nem sequer o poderão fazer na vertente pedagógica, uma vez que perdem o direito de eleger os seus representantes nos Conselhos Pedagógicos. Esta motivação governamental para “fomentar o aparecimento de lideranças fortes” mais não é do que uma forma encapotada de promover o aparecimento de agentes dóceis e cordatos às políticas do ministério, eliminando todas as hipóteses de resistência e de discórdia.

A direcção colegial e democrática das escolas, com todos os defeitos que se lhe poderão apontar, foi uma das principais conquistas do regime democrático. Parece que há um certo número de pessoas que está convicto que a democracia, num sentido lato, é um empecilho ao exercício do poder. Mas como acabar com a democracia é “politicamente incorrecto”, tenta-se manter, na sociedade em geral e nas escolas em particular, uma aparência de democracia sustentada de facto por um “manda quem pode e obedece quem deve”.

Foi você que pediu um ditador na sua escola?…

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Comentários
  1. MC diz:

    Ora aqui devo manifestar o meu total desacordo com a interpretação e visão do novo sistema de gestão escolar. Nesse aspecto, acho que se vai no bom caminho. Haja comunidades capazes de lidar com um modelo que retira a escola do sistema.

    Lá por faltarem habilitações (educação) às comunidades, isso não retira méritos ao novo sistema. Pode não ser o ideal para implementar num país onde todos se habituaram a não se preocupar com nada, mas não deixa de ser a melhor forma de organização escolar: autonomia total e gestão entregue às comunidades que se servem da escola, com uma grande dose de responsabilização dos gestores, fiscalizada pela comunidade.

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