Democracia não é Utopia

Posted: 15/04/2009 in Democracia, Políticas

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©ProtestoGráfico

Não basta dizer que vivemos numa democracia. É preciso saber primeiro definir o conceito de democracia, decidir em que democracia queremos viver e ter a capacidade de lutar por ela no dia a dia, desenvolvendo-a continuamente, aperfeiçoando-a. Há quem confie ainda na questão dos “direitos adquiridos” mas essa confiança pode ser a própria morte do regime democrático.

“Temos um problema: a qualidade da democracia está a decair em todo o lado”, constatou ontem o académico Philippe Schmitter, no encerramento do III Congresso da Associação Portuguesa de Ciência Política. O professor do Instituto Universitário Europeu (IUE), um dos mais conceituados teóricos sobre a democratização, trouxe à Fundação Calouste Gulbenkian algumas das preocupações recorrentes do seu trabalho: por um lado, as condições em que pode ser bem sucedida a transição para a democracia e a sua consolidação e, por outro, o “desencanto” com este regime.

O desencanto, considera Schmitter, resulta da “disparidade entre a fé persistente na democracia” e a sua concretização com resultados aquém das expectativas. A qualidade das democracias está a cair não só nos países que aderiram a ela recentemente, como é o caso de Portugal, mas também nas democracias consolidadas, considerou o investigador. E enumerou sintomas desse “empobrecimento”: diminuição da participação nas eleições, desinteresse dos cidadãos pelos partidos políticos e pelos sindicatos, aumento da desconfiança em relação aos políticos e às instituições democráticas.

Após a queda do Muro de Berlim não surgiram alternativas credíveis ao regime democrático, e as consequências estão à vista: “A ausência de alternativas está a minar e não a reforçar as democracias existentes”, afirma Schmitter, concluindo que “seria melhor para o futuro da democracia que houvesse uma ameaça séria a esta, porque isso traria o ímpeto para a reforma da própria democracia”.

In DN online, 1 de Abril 2009

Ameaças sérias ao futuro da democracia existem certamente…e não vêm do exterior. A questão que se põe é: Teremos nós a capacidade para as identificar e debelar?

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Comentários
  1. Manuel Baptista diz:

    O regime de Portugal tem uma grave doença que precisa de ser diagnosticada

    Tenho reflectido sobre os rumos da democracia em Portugal e cheguei à
    conclusão de que o problema é que se trata de uma enfermidade não
    diagnosticada, ou um diagnóstico feito mas não reconhecido pelas
    gentes.
    Portugal, desde há pelo menos 200 anos, passou de país colonizador a
    país colonizado, submetido por várias potências: primeiro a Grã-
    Bretanha, depois pelos países ricos da UE, com participação dos EUA.

    Tudo se pode compreender melhor, incluindo a enorme quantidade de
    corrupção e falta de vergonha da classe política, se virmos este país
    como uma vulgar neo-colónia, seja do continente sul -americano, seja
    africano. De facto, esses países têm (ou tiveram) regimes que até
    podem ser formalmente democráticos, mas onde uma pequena oligarquia
    manda, usando políticos corruptos para fazer o jogo da representação e
    manter assim o povo quieto.
    Gostava de escrever um livro para fundamentar melhor e tornar mais
    popular esta tese. Preciso de colaborações sobre o assunto. Escrevam-
    me:
    manuelbap@yahoo.com

    Agradeço qualquer apoio que queiram dar-me.
    Solidariedade,
    Manuel Baptista

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