Parquímetros para quê?!

Posted: 07/09/2009 in Acção!, Cidadania, Opinião

©ProtestoGráfico

Pode ser um  assunto de somenos importância, sobretudo no momento actual, mas a vida é feita de pequenos detalhes que podem não matar mas que, inexoravelmente, acabam por moer.

Estou a falar dos parquímetros, essa verdadeira actividade especulativa baseada no património público que ninguém pode negar que é um bom negócio! Uma Câmara Municipal quer fazer dinheiro. Então, associa-se com uma empresa especializada em gestão de parquímetros que (obviamente) também quer fazer dinheiro. O terceiro ingrediente é o espaço propriamente dito. O espaço que é público (portanto de todos nós) mas que todos nós temos de “alugar” se quisermos estacionar o nosso carro seja para trabalho ou lazer.

Quanto a mim esta é uma lógica algo distorcida. A utilização do espaço público é (ou deveria ser) um direito acessível a todos. O argumento de que o arrendamento do espaço ajuda a disciplinar o tráfego e o estacionamento é risível. Para isso existe o chamado código da estrada e o elemento fiscalizador – a polícia- para fazê-lo cumprir.

O outro argumento quase fatalista, o de que as entidades municipais tem de se financiar por todos os meios possíveis, também é lamentável e reflexo da mentalidade mercantilista e neo-liberal em que vivemos actualmente. A apropriação do espaço público, seja ele pedestre ou rodoviário, deve ser sujeita a regras mas nunca transformado num bem de consumo. Por pura questão de princípio.

E existem ainda outros factores: Porquê investir em TGV´s e auto-estradas redundantes, se existem tantos parques de estacionamento para construir? Tantos passeios para lançar, onde as pessoas se sintam confortáveis para caminhar e assim tolerar deixar o seus automóveis um pouco mais longe, se necessário. E claro, uma boa rede de transportes públicos que sirva efectivamente as populações… Mas essa abordagem sistémica dá mais trabalho e implicaria que as câmaras municipais designassem como fim supremo das suas existências a dedicação à causa pública e à melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Mas o que é que nós acabamos por ver no terreno? Centenas de parquímetros que brotam como cogumelos dos passeios públicos…

Ideias para agir contra este estado de coisas, precisam-se. Que tal, e para começar, os senhores candidatos às câmaras municipais das próximas eleições definirem nos seus programas eleitorais o que pretendem fazer quanto a esta questão?

Aqui ao lado, nuestros hermanos levam a coisa bem mais a sério, pondo tudo a nu!

Entretanto digam de vossa justiça!

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Comentários
  1. Rui Dias diz:

    Gostaria de saber se somos obrigados a fazer o pagamento, uma vez que as máquinas só aceitam moedas.

  2. Protestografico diz:

    Caro Rui,
    Penso que pela regra geral nas relações comerciais, quem gere um serviço pago tem obrigação de aceitar qualquer forma de pagamento e providenciar o respectivo troco. Mas as leis dobram-se e fazem-se à medida…

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