Quem ganha com o “voto útil”?

Posted: 25/09/2009 in Acção!, Cidadania, Coragem, Democracia

©ProtestoGráfico

Podemos admitir que o apelo ao “voto útil” é uma estratégia para garantir que não ganhe um determinado partido ou candidato. É um voto “contra”. Um voto pela negativa. A ideia é fácil de entender e em algumas situações até de aceitar. O problema é que o país já não aguenta tanto voto “contra”. Votar contra é sempre resolver parte do problema e deixar a outra parte adiada ad eternum. É importante reconhecer que esta atitude por parte dos eleitores tem ajudado a perpetuar um sistema que se cristalizou e calcificou no poder. Votámos contra Cavaco e elegemos Guterres. Votámos contra Guterres e elegemos Durão. Durão fugiu, não foi preciso votar contra ele. Votámos contra Santana e elegemos Sócrates… Estão a ver o enleio?

Se as alternativas a este “centrão” são melhores, não sei. Sei é que é possível votar em consciência, com base num misto de premissas que vão da avaliação que fazemos da credibilidade pessoal dos candidatos à pertinência dos programas eleitorais dos partidos que representam. Haja coragem para mudar e para arriscar!

Encontrei no entanto este texto num local improvável. Não conheço o autor, Helder Nunes, mas subscrevo por inteiro.

“O Voto Útil é um Voto Mentiroso”

“Sejamos honestos. A campanha de propaganda eleitoral por parte de todos os partidos que concorrem ao acto eleitoral do próximo dia 27 não foi esclarecedora quanto ao futuro do país, principalmente nas medidas de fundo que será necessário aplicar para o aumento das exportações e a consequente diminuição da nossa dívida pública externa.

Assistimos a um papaguear de coisas laterais, tais como o TGV e Espanha, depois apareceu uma eventual compra de votos numa secção da periferia de Lisboa que terá envolvido dois candidatos a deputados, seguidamente falou-se de espionagem e de escutas entre órgãos de soberania, das multas nos carros de campanha, da asfixia da democracia, da liberdade, das políticas sociais. 

Utilizaram-se as palavras direita e esquerda, como se nas últimas décadas tivesse existido alguma diferente na governança, e, só nos resta questionar – tudo isto é, de facto, importante para vida sócio-económica dos milhões de portugueses?

A esmagadora maioria dos actuais políticos não vive a realidade do país, onde diariamente fecham estabelecimentos comerciais e fábricas, o desemprego aumenta, e, até, pasme-se, com os estrangeiros a mandarem farpas para o nosso recanto, como se este fosse um país terceiro mundista. 

Nada parece incomodar quem quer ser poder, porque o sabor de mandar é algo que está intrínseco à formação democrata-ditatorial de um leque muito grande dos actuais dirigentes partidários.

Basta olhar para o desenrolar das campanhas e os resultados de algumas sondagens e apercebemo-nos da inflexão de alguns discursos partidários.

Tudo isto obriga os cidadãos a serem mais exigentes consigo próprios, porque é necessário fazer um exercício de reflexão e análise sobre o actual contexto político-partidário, avaliar o que cada um é capaz de fazer, sabendo-se o que já fez, e comparando com o que nós pretendemos que seja feito.

Cada cidadão tem o direito de votar, que lhe é dado pela Constituição, devendo exercê-lo, comparecendo na sua secção de voto e, conscientemente, com o seu saber de cidadão-povo, colocar a cruzinha no local daquele que para si merece ser o vencedor, mesmo sabendo que a força política em que votou não ganha as eleições. 

O voto útil é um truque que os políticos utilizam para se servirem dos eleitores. Não ao voto útil, sim ao voto em consciência! Não se deixe violar por princípios meramente empíricos dos políticos. 

O seu voto deve ser dado a quem, como cidadão livre, você muito bem entender. Inclusive pode votar em branco, se concluir que nenhuma força política merece a sua cruzinha. 

O seu voto está expresso e a sua consciência fica tranquila. O conteúdo da sua auto-estima enriquece-se, porque, acima de tudo, a sua acção foi um acto livre e, assim sendo, o reforço da liberdade acontece. O voto útil é um voto manipulado, mentiroso. 

É como a abstenção que, numa análise profunda, mais não é do que a violação a um direito conquistado com muito suor, sangue e lágrimas. O direito de votar em liberdade é uma conquista das democracias puras, onde os cidadãos são tratados como seres humanos, com direitos e deveres. 

Domingo, dia 27, o acto eleitoral que decorre é dos mais importantes que até hoje se realizaram em Portugal. Pelo contexto em que decorre, onde uma crise global nos coloca numa situação de choque, sem perspectivas do que poderá ser o futuro.”

Ninguém vota por si. O seu voto é importante. Vá votar no próximo domingo.

Helder Nunes

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