Arquivo de Julho, 2010

©ProtestoGráfico

Foi difícil e cansativo manter uma resistência contra um ministério trapalhão e insensível à realidade vivida tanto por alunos como por professores. Agora, os professores têm ainda que arranjar forças e paciência para aguentar a complacência (leia-se incompetência) com que os sindicatos assistem inpávidos e serenos (se exceptuarmos aquelas declarações pirotécnicas de indignação dúbia para a imprensa e as manifestações da praxe) a todo o rol de medidas que vão sendo aprovadas e implementadas pela cartilha do neo-liberalismo economicista que rege este ministério da educação. Num momento que exigia acção firme, concreta e eficaz contra tudo o que foi claramente rejeitado pelos professores, desde a avaliação nos termos que corre, à gestão escolar, passando pelo nova questão dos mega-agrupamentos e dos concursos, os sindicatos demonstram uma clara falta de apetência para representarem não só os interesses dos professores (é para isso que cá estão, não tenhamos pruridos), como também os interesses do ensino público em geral.

Sobre o momento em que professores e sindicatos estiveram em uníssono na defesa de posições que eram justas e sobre o seu esvaziamento por falta de pulso e de estratégia já muito se escreveu e não vale a pena insistir no assunto. O que interessa é pensar como será o futuro pois a realidade crua e dura é que os professores se sentem abandonados.

Não gostaria que quem lesse estas frases ficasse com a ideia de que este é um discurso bota-abaixista, sem intenção construtiva de alternativas. Mas o que é certo é que para existir essa vontade de reformular construtivamente o ensino público é indispensável primeiro que existem sinais claros de recuo e inversão desta mentalidade gangrenosa que se instalou nos responsáveis actuais pelo ensino. Não é a razoabilidade das propostas alternativas que irá demover os actuais responsáveis. Já temos este facto mais do que provado. Infelizmente, é preciso derrubar primeiro para construir a partir daí, quase da “estaca zero”. É o preço a pagar pela complacência de todos nós…

Um artigo sobre esta questão:

Concurso 2010/11 – Uma Página Negra do Sindicalismo Docente – APEDE


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