Sindicalismo negro!

Posted: 08/07/2010 in Campanhas negras, Pregar no deserto?, Professores em Luta

©ProtestoGráfico

Foi difícil e cansativo manter uma resistência contra um ministério trapalhão e insensível à realidade vivida tanto por alunos como por professores. Agora, os professores têm ainda que arranjar forças e paciência para aguentar a complacência (leia-se incompetência) com que os sindicatos assistem inpávidos e serenos (se exceptuarmos aquelas declarações pirotécnicas de indignação dúbia para a imprensa e as manifestações da praxe) a todo o rol de medidas que vão sendo aprovadas e implementadas pela cartilha do neo-liberalismo economicista que rege este ministério da educação. Num momento que exigia acção firme, concreta e eficaz contra tudo o que foi claramente rejeitado pelos professores, desde a avaliação nos termos que corre, à gestão escolar, passando pelo nova questão dos mega-agrupamentos e dos concursos, os sindicatos demonstram uma clara falta de apetência para representarem não só os interesses dos professores (é para isso que cá estão, não tenhamos pruridos), como também os interesses do ensino público em geral.

Sobre o momento em que professores e sindicatos estiveram em uníssono na defesa de posições que eram justas e sobre o seu esvaziamento por falta de pulso e de estratégia já muito se escreveu e não vale a pena insistir no assunto. O que interessa é pensar como será o futuro pois a realidade crua e dura é que os professores se sentem abandonados.

Não gostaria que quem lesse estas frases ficasse com a ideia de que este é um discurso bota-abaixista, sem intenção construtiva de alternativas. Mas o que é certo é que para existir essa vontade de reformular construtivamente o ensino público é indispensável primeiro que existem sinais claros de recuo e inversão desta mentalidade gangrenosa que se instalou nos responsáveis actuais pelo ensino. Não é a razoabilidade das propostas alternativas que irá demover os actuais responsáveis. Já temos este facto mais do que provado. Infelizmente, é preciso derrubar primeiro para construir a partir daí, quase da “estaca zero”. É o preço a pagar pela complacência de todos nós…

Um artigo sobre esta questão:

Concurso 2010/11 – Uma Página Negra do Sindicalismo Docente – APEDE


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Comentários
  1. filipe diz:

    Sempre consegui distinguir docentes que estudaram Filosofia e os que foram dispensados…

    Confessemos que assistimos à total falta de Ética: na vida privada, na profissão, na política, nos partidos,..

    Mas na carreira docente, pela sua massificação ?, é ainda mais evidente.

    Estava escondido mas, no ano lectivo anterior e agora, é pública no ambiente profissional das escolas

  2. filipe diz:

    Protesto com moderação!

  3. Em vésperas de entrarmos em mais um merecido descanso, venho apelar ao nosso sentido de responsabilidade e até de sobrevivência porque o inimigo não dorme. Pelo contrário. Aí está ele a afiar as garras, embora claramente desnorteado. Não, caros colegas, não se trata de mais um ataque.Tata-se de uma guerra, guerra a sério contra os professores, os alunos e em última análise contra a escola pública. E quem é assim atacado ou se defende de verdade e contra-ataca ou é mesmo cilindrado. Ninguém está a salvo. Nem os bonzinhos que querem cumprir tudo até ao absurdo nem os próprios directores que tanto se esforçam por oprimir a classe para parecerem bem na foto do ME. Vai tocar a TODOS. Desistir não pode ser uma opção. Quanto ao sindicalismo-que-temos, a realidade aí está a demonstrar o que tem sido a lamentável actuação dos que supostamente deviam zelar pelos nossos interesses. Após dois anos de luta, perdemos tudo e não ganhámos nada, apesar de no último congresso os panegiristas de serviço terem passado o tempo a tecer as maiores loas aos “esforçados” e “lúcidos” dirigentes sindicais. Por isso, a APEDE juntamente com os outros movimentos independentes está a preparar um conjunto de acções a ter lugar logo em Setembro para que o próximo ano lectivo seja diferente. Importa estar atento, não baixar os braços e emprestar à nossa causa comum a força de que todos precisamos. O poder só cede se o encostarmos à parede. É esta a palavra de esperança e de alerta que aqui vos deixo : “We are the people and we shall overcome…”

  4. Protestografico diz:

    Muito me apraz saber que esse brainstorming para “ideias de resistência” está a ser feito e a produzir resultados…

  5. Olinda diz:

    Estamos desanimados mas temos de arranjar uma alternativa.

  6. Um olhar sobre o sindicalismo-que-temos!!!
    A FENPROF foi falar com o Presidente da República. Conclusões:ZERO.
    A FENPROF prepara a luta em Setembro: apresentação do “manual de sobrevivência” (????); manifs em Lisboa e Porto a 29 do dito (mais uma???); debate no Fundão sobre o papel do professor(???) e para terminar em beleza um plenário nacional em Outubro.
    Já estou a ver o ME, o Pinóquio e o resto da camarilha a tremer de medo com estas perspectivas de luta intensa. Mais palavras para quê??? Os factos falam eloquentemente por si mesmos.
    Isto sem falar, claro está nas importantes conquistas da classe (onde é que elas estão??’)
    Nota: Dados retirados do último jornal deste sindicato.

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