Dispensados!

Posted: 07/01/2011 in Democracia, Desabafo

©ProtestoGráfico

Meus caros, com este “autocolante” acima e com este texto de Henrique Raposo, publicado no Expresso, abaixo, me despeço até uma próxima. Não percam a capacidade de protestar!

PG

Um carro de 130 mil euros, e sete mil euros só em vinho

Os nórdicos têm confiança no Estado. Em Portugal, isso é quase uma utopia. Os nossos políticos gastam o dinheiro público sem respeito pelo cidadão. E, aliás, a nossa dívida voltou aos 7% porque os mercados também não confiam no nosso Estado. Mas, vá, continuem lá a falar dos míseros 1500 euros da pub de Manuel Alegre.

I. Continuando na excelente reportagem de Alexandra Prado Coelho sobre os nórdicos (só faltou falar da flexi-segurança; ir à Dinamarca e não falar das leis laborais é como ir a Roma e não ver o Papa), podemos ver outra marca daqueles países: a confiança que existe entre cidadãos. Há uma relação de confiança entre sindicatos e empresários (e não esta nossa guerra civil permanente). Mais: aquela boa gente confia no Estado, isto é, confia nas pessoas que regem a coisa pública. E, tal como diz a autora, todo este conceito de confiança “é um pouco destabilizador para quem acaba de sair de Portugal”.

II. De facto, a confiança entre cidadãos e políticos é quase uma utopia em Portugal. E, neste ponto, o ónus da culpa está todo do lado dos políticos. Porque a gestão da coisa pública não tem revelado um mínimo de respeito pelo cidadão, pelo contribuinte. E isto não se vê apenas nas grandes questões macro-económicas (todas erradas). Isto é visível, sobretudo, nos detalhes. Nestes detalhes quase invisíveis, podemos ver o profundo desprezo que o Poder tem pelo resto da sociedadeUm exemplo: em época de crise, o gabinete do primeiro-ministro precisava de um carro de 130 mil euros? As pessoas que assinam esta ordem têm noção do impacto que isto tem no comum dos mortais?

III. Nunca mais me esqueço do dia em que vi esta notícia: já no meio do caos, o gabinete do primeiro-ministro achou que precisava de sete mil euros em vinho . Quem assinou esta ordem de compra vive na sociedade portuguesa ou está a flutuar acima dos portugueses? Esta gente não entende que estes actos passam uma mensagem de prepotência? A sociedade portuguesa está a atravessar a maior crise dos últimos vinte anos, mas ali temos uma pequena aristocracia flutuante a gastar de forma principesca. Como é óbvio, isto destrói qualquer confiança entre o cidadão e os políticos.

IV. Na Suécia, os motoristas são uma espécie rara. E os deputados não têm mordomias. Vejam este vídeo. É isto que cria a confiança entre cidadãos/contribuintes e os políticos. Sim, as mordomias têm um valor estatístico reduzido na despesa, mas têm um impacto simbólico demolidor. E os símbolos contam em política. E os exemplos que vêm de cima também.

PS: os juros da nossa dívida voltaram para a casa dos 7%. Posso estar enganado, mas eu acho que isso não se deve aos 1500 euros que Alegre recebeu por fazer uma pub. Resulta, isso sim, de uma despesa estatal descontrolada simbolizada por estes gastos aristocratas.

PS 2: por que razão as nossas campanhas eleitorais são sempre fugas da realidade?

Henrique Raposo

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Comentários
  1. Bom Ano Novo!

    Sou tão “naba”, informaticamente falando, que não sei como retirar os teus fantásticos trabalhos gráficos para os dar a conhecer como a -imagem-vale-por-mil-palavras …
    Ana

  2. Protestografico diz:

    Bom Ano, Ana!

    Duplo click em cima da imagem. Quando esta aparecer no tamanho real, botão do lado direito do rato e seleccionar; “guardar imagem como…” e já está!

    Abraço,

    P.G.

  3. Obviamente que as despesas sumptuárias descontroladas concorrem poderosamente para a crescente repulsa sentida pelo Zé a respeito da clique dirigente.Mas há muitas outras atitudes a ir no mesmo sentido. Estou a referir-me ao embandeirar em arco por parte do sr. Sousa e dos panegiristas de serviço como o Assis e Cª relativamente à subida das exportaçôes. Para além do facto de apenas uma pequena percentagem de empresas portuguesas ter vocação exportadora (cerca de 17 a 19% no máximo), desmentindo assim que a solução dos problemas a curto prazo esteja aí, acresce que os nùmeros avançados pelo governo são enganosos como é costume. Uma série de empresas ditas exportadoras e que figuram nas estatísticas oficiais como exportando muitos milhões não passam de fachadas para pura especulação de capitais e nunca produziram nada. Têm as suas sedes em pequenos apartamentos no Funchal e limitam-se a usar a zona franca para fazer fortunas à custa de movimentos de capitais puramente especulativos. Muitos já perceberam que essa treta de produzir para vender já era. Os grandes lucros não advêm da produção de bens ou serviços mas da exploração desenfreada e sem controle de movimentações especulativas de capitais via offshores. E ainda dizem que o futuro do país está nas exportações depois do nosso tecido produtivo ter sido desmantelado….

  4. Fabuloso, parabens 😉

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