Arquivo de Maio, 2011

Meus caros,

Depois de amadurecida reflexão, achei que era melhor oficializar o fim do investimento neste blogue e explicar minimamente o porquê dessa decisão.

Fazendo a retrospectiva da coisa, comecei o Protesto Gráfico porque achei que precisava de exteriorizar de alguma forma o ultraje e a indignação que sentia face ao comportamento da classe política que nos “gere”. Digo “gere” e não “lidera” porque liderar é uma coisa completamente diferente, coisa essa que o nosso povo não testemunha há muito tempo, se é que alguma vez testemunhou.

Sendo professor, as políticas criminosas que o governo Sócrates delineou para a educação, tendo como testa de ferro a inenarrável Maria de Lurdes Rodrigues, tornaram ainda mais urgente essa necessidade. Digo políticas criminosas por duas razões; pelo conteúdo – tudo, mas quase tudo o que foi determinado em política de educação nestas duas últimas legislaturas, foi um desastre do qual não iremos recuperar tão cedo, se bem que a história irá certamente julgar quando houver lucidez para tal – e criminosas também pela forma, arrogante a acintosa, com que denegriram na opinião pública uma classe profissional inteira. Quero eu com isto dizer que os professores são os “bons”? Nem por sombras. O que eu tenho dificuldade em tolerar é o facto de um governo definir como estratégia de gestão o rebaixamento público e deliberado de uma classe profissional, seja ela qual for, atiçando-a com as outras classes, explorando pretensos “privilégios” e infundadas invejas, criando intencionalmente clivagens e desavenças no panorama social cuja malha deveria ao invés ser tecida de união e de consensos.

Ao longo de 3 anos fui escrevendo umas modestas prosas e criando umas peças gráficas que  contava eu pudessem ser mobilizadoras e usadas como ferramentas de protesto. Tenho cada vez maior consciência de que o acto de protestar não é solução para tudo e que apenas fica a meio caminho entre o alertar e o propor algo de novo e melhor e que é esta última parte que mais interessa, no fundo.

Ao longo desta trajectória apercebi-me de três coisas:

1 – A facilidade com que o protesto se torna institucionalizado, ritualizado e amorfo (aconteceu com os sindicatos e aconteceu com a população em geral).

2 – Uma invariável tendência para a unilateralidade, ou seja, a dificuldade que tantos têm em ver as coisas pelos múltiplos prismas de uma realidade maior e do bem comum e não apenas de atender prontamente a tudo aquilo que pode afectar os seus interesses pessoais.

3 – A quase total ausência de visão política – digo política e não partidária – da sociedade portuguesa em geral, que a impede de avaliar e produzir juízo critico sobre as medidas que a classe política nos apresenta a não ser quando já é tarde demais.

Amadurecendo todas estas percepções, nestes tempos de crise aguda, de desânimo e de esterilidade criativa para soluções de verdadeiro progresso, um espaço como o Protesto Gráfico torna-se pouco compensador, inútil até. O problema não é a falta de protesto, é a falta de vontade em levar esse protesto às últimas consequências por não estar alicerçado numa crença moral suficiente forte de que se está a construir um bem comum.

Da minha parte, tenciono dedicar-me às causas modestas e pouco mediáticas que fazem o quotidiano de todos os que querem viver num mundo melhor; apoiar a família, educar bem os filhos, fazer o meu trabalho o melhor que posso e sei. Estes desafios já são bem grandes se forem levados a sério.

Quanto ao protesto, venha(m) o(s) próximo(s).

Bem hajam!

PG

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