Archive for the ‘Acção!’ Category

Faça-se uma auditoria!

Posted: 29/03/2011 in Acção!, Economia

©ProtestoGráfico

Parece-me do mais elementar raciocínio e para que as responsabilidades possam ser devidamente clarificadas, realizar uma auditoria independente às contas do estado, tal como sugeriu Passos Coelho. Até aqui nada de extraordinário. O que começa a ser extraordinário são os sinais de que muita gente bem colocada não está interessada numa auditoria desse tipo. Pressões de vária ordem e proveniência têm-se manifestado para invalidar este procedimento, alegando que o momento de “crispação política” não é propenso a tal coisa (ele há com cada desculpa que é de ir às lágrimas). Parece-se um pouco com aquilo que se passou com a recente comissão multipartida para analisar as parcerias público-privadas; a informação não aparecia ou era fornecida de forma fragmentada de modo a que não se percebesse nada…

Que se pode fazer? Uma petição? Mais uma manif do tipo da geração à rasca?

A opinião de António Balbino Caldeira, retirada daqui:

“A incerteza da preferência do eleitorado português, manifestada nas sondagens (como a última da Intercampus, na TVI, de 27-3-2011), recomenda a realização imediata de uma auditoria independente às contas do Estado, por uma equipa da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (do Parlamento), pelo Banco de Portugal e Tribunal de Contas, a publicar antes do início da campanha eleitoral. Para que as eleições sejam livres e justas o povo tem de ser informado, com verdade, sobre a situação efectiva das contas do Estado, que o Governo esconde. Se o PSD propuser essa auditoria imediata, o CDS, o Bloco de Esquerda e o PC apoiarão essa proposta.

A auditoria pré-eleitoral não piora a situação financeira do Estado e resolverá a questão política.

Portugal está em ruína financeira. Existem contradições nas contas públicas e sucessivas previsões falhadas. A taxa de juro passou o ponto de não-retorno dos 8,5% (8,84% nesta manhã, de 29-3-2011) e nada existe que acalme o pânico dos mercados com a ineficácia do Governo português, o défice e dívida do Estado. A não ser a verdade. Só na verdade se pode iniciar a recuperação, a qual só é possível depois das eleições. Até lá, assistiremos a uma subida contínua dos juros, para o nível grego, e à tentativa de financiamento para três meses pelo Governo socialista através de todos os meios e recursos possíveis (empréstimo de curto prazo a taxa estratosférica, empréstimo pela CGD, empenho ou venda de ouro).

A prioridade principal do País é resolver a questão política: a substituição do Governo socialista. Sem desatar esse nó górdio moral e político, é impossível resolver as questões financeira, económica e social. É imprudente pensar que Sócrates será derrotado claramente e de modo fácil e que, portanto, é dispensável realizar a auditoria antes das eleições. Se a direcção do PSD arriscar abdicar do trunfo disponível (e legítimo!) da auditoria pré-eleitoral será responsabilizada pela imprudência. As próximas eleições não são favas contadas.”

Um post nada gráfico, mas é o que me vai na alma. Deixemo-nos de panos quentes e de conversa fiada…

Fala-se muito em enveredar por formas de luta que sejam realmente eficazes para contrariar a inexorável degradação das condições de trabalho humanas dos professores (em gritante contraste com a atenção dada, por parte deste governo e dos blocos económicos que o rodeiam, à melhoria das condições materiais das instalações e equipamentos).

Temos todos presente o tipo de acções de luta que os sindicatos têm proposto até aqui: principalmente manifestações e greves parciais com um máximo de um dia de duração. Também não vale a pena falar na actual greve em curso às horas extraordinárias, que poucos detêm. Toda a gente constata que não chega e que este modelo há muito esgotou.

Acontece que a política de desrespeito pela vertente humana de quem trabalha é uma característica – diria mesmo, uma imagem de marca – de quem neste momento detém o poder de decisão em Portugal e essa característica não dá mostras de perder o fôlego. Na Educação, esse desrespeito é visível tanto na visão global que para ela o poder fabricou como também é visível nas ínfimas coisas, muitas vezes decisões avulsas, tomadas com intenção de poupar a todo custo, mas – e isto é que não é perdoável – disfarçadas de pseudo-virtudes de carácter pedagógico ou de práticas de boa gestão de recursos humanos. A longo prazo, não são nem uma nem outra coisa.

Tem-se ventilado que, para gerar uma posição negocial de força, uma greve deveria orientar-se para um de dois sentidos ou para ambos:

  • Greve prolongada às actividades lectivas
  • Greve num momento-chave, como são as avaliações ou os exames.
Vamos analisar cada uma destas opções:
A greve prolongada, para ter efeitos reais, deve ser isso mesmo: prolongada. Se o período for de uma semana (o que já é um período de grande duração se levarmos em conta a tradição de luta laboral dos professores), causará pouco mais do que um beliscar suave em todo o sistema, realçando-se o transtorno para os pais que não poderiam deixar os filhos na escola durante esse período (falo nesta questão porque parece ter sido o factor mais polémico quando se realizaram algumas dessas “greves de um dia” – aparentemente, o facto de os alunos estarem um dia sem trabalhar ou aprender era secundário…). Estaríamos portanto a falar de um período de duas semanas, no mínimo.
Quem está convencido de que é possível a classe profissional dos professores, tão economicamente pressionada como qualquer outra no funcionalismo público, enveredar por um tipo de luta que exija um tal sacrifício? Eu estou convencido que tal não será possível nem realista.

A greve a “momentos-chave”, como sejam as reuniões de avaliação, a vigilância de exames ou a correcção dos mesmos, teriam o potencial de serem bastante mais eficazes do que uma greve às actividades lectivas normais. Penso que a adesão a esta opção tem sido negligenciada por dois motivos: os sindicatos nunca a encararam verdadeiramente como opção válida (tirando algumas ameaças pontuais, como a que paira actualmente) e tem sido negligenciada também devido a um prurido por parte de muitos professores em causar transtorno directo aos alunos relativamente aos seus processos de avaliação. Têm também alguns professores – mesmo aqueles mais activos na “luta” – dispensado esta ideia, alegando que uma acção deste tipo iria colocar a opinião pública contra os professores.
Vejamos algumas questões ligadas com esta opção: Em primeiro lugar, não acredito que haja um professor digno desse nome que encare de ânimo leve embarcar num acto que prejudique de forma grave os trajectos académicos dos seus alunos. Por outro lado, há que admitir que a essência de todas as greves (como formas de luta a utilizar quando todas as outras já se encontram esgotadas), é exercer pressão e que essa pressão só é possível mediante a perspectiva de privar dos nossos préstimos aqueles que deles beneficiam. Nesse aspecto, penso não poder ser acusado de corporativista ao afirmar que até esta data, todas as acções de luta dos professores se têm pautado por um exemplar cuidado em garantir exactamente o contrário, isto é, que os alunos sejam poupados às consequências deste processo. É evidente que isto é meritório, demonstra ética deontológica mas é também o que tem impedido os professores de conseguir uma única vitória que seja (sejamos francos), apesar das grandes mobilizações verificadas sobretudo em 2008/2009. Nenhuma reivindicação profissional pode depender da aprovação da opinião pública ou está enferma à partida. Além disso, é visível que todo o apoio e simpatia que a causa dos professores porventura mereceu por parte da sociedade, teve poucos ou nenhuns efeitos práticos.

A recusa em participar nas reuniões de avaliação ou de aceitar serviço de exames é complexa e enredada em várias considerações “legais”. Existe a questão dos serviços mínimos e de outros enquadramentos que são invocados não sei com que força ou legitimidade legal porque, além da lei ser complexa e hieroglífica nos dias que correm, ela é também movediça, isto é, depressa se cria um decreto ou um despacho a inverter ou apurar, consoante a necessidade, uma determinada lei. A lei não é portanto a questão. Se pretendemos combater um estado de coisas que se baseia numa “má” lei, não podemos esperar combatê-la no estrito campo dessa mesma lei. Esta forma de luta dá pelo nome de  “desobediência civil” e requer aquilo que muitas vezes escasseia: coragem, afirmação esta que faço sem juízos de valor e incluindo-me no barco.

Surgiu no entanto um facto recente que poderá desencadear uma vertente de contestação válida e que se prende com as novas regulamentações para os professores correctores dos exames nacionais. Quem já perdeu um pouco de tempo a discorrer o Despacho 18060/2010, de 3 de Dezembro, poderá contemplar um sem número de abusos atentatórios do mais básico decoro que deve pautar o relacionamento entre o estado e os seus funcionários. Basicamente, os professores correctores são agora nomeados pelas direcções das escolas, não são remunerados pelas provas que corrigem, estão vinculados ao GAVE para frequentarem obrigatoriamente uma acção de formação por ano durante quatro anos (marcadas já este ano para sextas feiras e sábados de manhã e de tarde) e a ter lugar numa localidade de âmbito concelhio, com uma distância que pode ser respeitável relativamente ao local de trabalho. Também se exige que os professores correctores cubram do seu próprio bolso o transporte para as acções de formação, é-lhes solicitado que levem os seus próprios computadores pessoais e ainda (pasme-se o ridículo) que levem exemplares impressos das provas das duas chamadas dos exames nacionais do ano passado. A caricatura continua com a definição da responsabilidade dos professores em cobrir os custos do transporte das provas entre o local de correcção (que é domicílio dos professores porque as escolas não têm condições para tal) e os agrupamentos de exames.
Enquanto uma greve às reuniões de avaliação se afirmaria de logística complicada e uma greve ao serviço de exames (realizada em termos “legais”, implique isso o que implicar) resultaria no impedimento dos alunos realizarem as suas provas, uma greve dos professores correctores poderia ser uma opção mais viável.
O ministério, na sua ânsia de cortar a eito, esqueceu-se que, acabando com a remuneração da correcção de provas de exame, acabava também com os motivos económicos, porventura menos nobres, que impediam muitos professores de aderir a uma forma de luta deste tipo. Outra vantagem ética é a de que tal procedimento não impediria os alunos de realizarem os seus exames, ficando apenas os resultados deste “congelados” (onde é que eu já ouvi isto?) até que um desbloqueio favorável da situação ocorra.
É um caminho… Porque não pensar nele a sério?
PG

…que o país ainda está vivo! Já começava a ter as minhas dúvidas…

O Protesto da “Geração à Rasca” foi um verdadeiro sucesso, se bem que precisa de continuidade. O descontentamento não se pode esvaziar numa manifestação.

Quanto aos cartazes, ficam muito melhor “ao vivo”, não?  É para isso que servem…

©ProtestoGráfico

Os protestos independentes merecem-me a maior das simpatias. Neste caso do protesto da “Geração à Rasca” estou solidário e quero contribuir modestamente para ajudar a passar a mensagem que se encontra no manifesto desta acção de rua.

E como gostaria de contribuir? O impacto mediático desta acção depende também da qualidade e quantidade das mensagens visuais presentes na marcha. Por isso ponho à disposição dos participantes uma “galeria” de cartazes que poderão imprimir e afixar num suporte próprio para exibirem no protesto. Estes cartazes estão preparados para serem impressos em formato A3 mas também poderão sê-lo em qualquer formato com a mesma proporção; A4, A2, etc. Cliquem na imagem, para ampliar e descarreguem!

Vou actualizando a galeria com mais cartazes à medida que os for produzindo. Saudações e até Sábado!

(Aceitam-se sugestões!)

©ProtestoGráfico

Não queria voltar aos tempos do PREC mas é altura de começar a exigir!

Recebi um mail de um amigo com um comentário reenviado de Francisco Costa Duarte que achei por bem reproduzir aqui. Está relacionado com aquele que seria o debate com maiores expectativas para o esclarecimento das posições dos dois principais candidatos à presidência. Digo principais tão somente porque são os que têm atrás de si as maiores máquinas partidárias, com tudo o que isso significa…

Amigos,

Isto é um vício como o tabaco: em vez de vos mandar um qualquer postal a desejar-vos um bom novo ano, blá, blá, dá-me para vos enviar um comentário/opinião sobre o debate entre Alegre e Cavaco!

Que desilusão para tantos portugueses, que para mim é mais do mesmo! Que falta de nível, de ideias, de esperança! Falaram do resolver dos problemas do dia a dia dos portugueses? Não! Falaram de outro modelo de vida e de sociedade? Não! Discutiram os macros problemas da Economia, Justiça, etc. e do modo de ajudarem a resolvê-los? Nicles! Este debate não dá esperança de melhor futuro, seja a visão de esquerda, de direita ou do centro. É, apenas, mais do mesmo!

Tenho algum respeito por Manuel Alegre que tem um passado de ideias, com algumas das quais me identifico. Mas: acho que está velho demais para romper com o que é necessário romper e há 30 anos que anda a puir o fundo das calças, sentado na Assembleia comodista e no sistema que nos enterra, mesmo que com uns espirros de consciência! Na melhor das hipóteses, é um mal menor!

Não tenho o mesmo respeito por Cavaco Silva, com quem, por mais esforço que faça, não me consigo identificar minimamente porque me parece um “santo” de pau muito carunchoso: diz não ser político mas é o que tem mais tempo de altas funções políticas (16 ou 17 anos de Ministro, 1º Ministro e Presidente, para não falar de outros cargos); diz saber como resolver os problemas mas nunca pôs em prática a sua sapiência; diz que devemos ir para as actividades do mar mas foi ele que as liquidou; diz que a educação é importante mas foi ele que eliminou avaliações e impediu a cultura do mérito; apela às indústrias culturais mas foi ele que correu com o Saramago, reconhecido internacionalmente; diz que a despesa pública deve descer mas foi ele que criou o “monstro”; critica as obras públicas mas foi ele que originou a política do betão e os respectivos interesses; diz-se a favor da transparência mas não repudia os seus amigos do BPN nem explica os seus próprios lucros nessa confusão, além de todos nos devermos lembrar do regabofe dos jipes e dos cursos fantasmas com dinheiros do Fundo Social Europeu, Feder e Feoga vindos da Europa; diz estar solidário com os mais pobres mas acumula 3 reformas (sem ter feito os descontos correspondentes e logo escandalosas) com o ordenado de Presidente; faz-se parecer não arrogante, como Sócrates (que aponta o dedo, o que é feio) mas passa a vida a dizer que ele é que sabe (entre duas fatias de bolo rei de boa aberta, o que também é feio); o modelo de economia de que se orgulha não cresce há 10 anos; Chega? Com muitos Santos destes a Igreja Católica já tinha desaparecido há muito! Um aparte: numa reunião que tive há pouco tempo, por razões de acção cívica, com um autarca importante de um Município importante, ouvi da sua boca uma grande parte disto que acima digo. O autarca em questão é da mesma área do Sr. Cavaco! Vejam onde já está o prestígio de quem quer ser Presidente em nome dos portugueses “bons”!

É por tudo isto que não vos mando um dos tais postais genéricos de desejos de bom ano de 2011, blá, blá. Só vos posso desejar que, pessoalmente se safem bem no Novo Ano.

Um abraço do

Francisco Costa Duarte

Apelo para 2011

Posted: 01/01/2011 in Acção!

Lúcido “apelo” aos portugueses para o ano de 2011, escrito por Carlos Ferreira Madeira no “i” online. Tudo o que é essencial, está lá:

“Este vai ser, provavelmente, o pior ano da sua vida. Mas é possível mudar o país. Eis uma lista de pequenas coisas que farão toda a diferença

O ano que terminou ontem atingiu os portugueses como um tsunami. De repente, o país foi forçado a olhar-se no espelho e a reconhecer a criatura decrépita, velha e desdentada em que se transformou. A crise chegou com estrondo e não teve sequer a delicadeza de bater à porta. A fatalidade não foi, porém, totalmente negativa. Sem reconhecer a natureza dos problemas é impossível encontrar soluções adequadas. O facto positivo de 2010 consiste no reconhecimento de que existe uma condição para sobreviver: mudar.

Dito isto, 2011 vai ser, provavelmente, o pior ano da sua vida. A factura de décadas de desmazelo é pesada e começa a sair do seu bolso hoje mesmo.

O fantasma do FMI paira sobre as cabeças dos portugueses enquanto o primeiro-ministro tenta no Brasil que nos comprem dívida para continuarmos a respirar. Entretanto, existem quatro Programas de Estabilidade e Crescimento e um Orçamento do Estado para nos recordar o tamanho da dívida que, necessariamente, teremos de pagar. Os impostos vão estrangular-nos a todos: cidadãos, famílias, empresas. A economia vai entrar em recessão e o desemprego perseguirá 600 mil pessoas.

Isto é notável sobretudo porque Portugal está em contra-ciclo. A economia global cresceu 5% em 2010. E vai continuar a crescer em 2011.

Muito do que se passar em Portugal vai depender de três factores: da capacidade do governo de gerir um orçamento restritivo e atacar a despesa a sério; da possibilidade de afastar, através de uma solução política eficaz, a crise sistémica do euro; e ainda do desempenho das economias emergentes.

As previsões de crescimento económico para Portugal são absolutamente decepcionantes (zoom pp. 20-21). O país precisava de crescer 2% para reduzir o desemprego. Não vai acontecer. Da próxima vez que lhe oferecerem dinheiro barato, desconfie. Aprenda com os erros e siga em frente. Force a mudança.

Dentro de muito pouco tempo teremos de assumir opções políticas difíceis. Este sistema partidário monopolizado não permite grandes escolhas, mas está nas mãos dos portugueses exigir que a mudança comece por aqui. É decisivo substituir a geração que fez o 25 de Abril e beneficiou largamente dele. Cabe às novas gerações assumir a responsabilidade e tomar as rédeas do futuro nas mãos. Com estes ou outros partidos políticos.

Mudar significa renovar. Há imensa gente capaz e qualificada a abandonar o país. Sugiro que não o façam e lutem por Portugal. Este Estado fundado em 1143 não vai acabar em 2011. Exija responsabilidade a quem o governa. Faça petições para mudar as leis. Inunde as caixas de correio electrónico daqueles que o representam e obrigue-os a agir e a justificar o que fazem e o dinheiro que ganham. Force-os a pedir auditorias ao Tribunal de Contas. Informe-se antes de votar. Denuncie os corruptos sem medo. Não seja complacente com a incompetência das hierarquias ou dos subordinados. Exija rigor a si próprio. Esqueça a obediência canina em nome do emprego fácil. A desobediência civil é legítima perante poderes que levam um povo à ruína. Não desista dos seus projectos por causa da burocracia que tudo entrava. Não admita que o Estado lhe cobre impostos retroactivamente.

Mudar Portugal exige força. Depende da nossa capacidade de resistência aos poderes ineptos e da nossa capacidade de renovação dos poderes decrépitos. A tarefa será hercúlea e vai demorar anos. Mas Portugal vale a pena. Lute por ele já este ano.”

Artigo original aqui.

Numa altura em que aparecem no horizonte mais umas machadadas nas condições de trabalho dos professores, como por exemplo o aumento encapotado do horário como a anulação das reduções horárias por idade, o fim da contabilização dos cargos com equivalência a horas lectivas e a proibição de ter dias livres, a minha proposta é esta:

Primeiro, temos deixar de ser parvos! Desculpem mas é mesmo este o termo quando levamos trabalho para casa sem sermos profissionais liberais nem ganharmos horas extraordinárias… Depois, acho que podemos pegar nos nossos horários lectivos, acrescentar-lhes a componente não lectiva na sus totalidade e entregá-lo na direcção para que esta saiba onde estamos se precisar de nós para alguma coisa e se quiser confirmar que realmente trabalhamos nessas horas. Mais nenhuma hora!

Não há condições na escola? Quem de direito que as providencie !

©ProtestoGráfico

Se isto não for só um “descer de avenida” com palavras matraqueadas, até poderá ter interesse vir para as ruas viver o dia e o momento…

Iniciativas vão aparecendo. Começa a formar-se um bom “programa de festas”. Duas sugestões para Lisboa;

Concentração frente ao ME

Espectáculo da greve

Venham mais, que ainda estamos a tempo…

©ProtestoGráfico

Acho que se não for assim, nem vale a pena começar…

Para imprimir, clicar aqui.

©ProtestoGráfico

Passando a blogosfera em revista, deparei com este post dos Precários Inflexíveis, sobre a ameaça velada de algum patronato sobre os que pretendem fazer greve no dia 24 de Novembro. A adesão a uma greve deve ser uma decisão livre de cada um. Assim como não acredito em piquetes para obrigar a fazer greve quem não quer, também não simpatizo com situações de chantagem sobre quem quer fazer. Por isso, esbocei este cartaz/ panfleto para quem quiser divulgar…

Este texto veio parar à minha caixa de correio, numa daquelas mensagens redireccionadas cuja proveniência original não é identificada. Achei piada ao conceito e, com as devidas adaptações na linguagem, resolvi compor o aspecto gráfico de modo a obter qualquer coisa que fosse digna da afixação numa sala de professores, por exemplo…

Como já tinha escrito, não me apetece fazer greve no dia 24 de Novembro só para engrossar a contabilidade estatística das organizações sindicais que, pelas razões de já referi, não me merecem especial crédito – e que me desculpem as pessoas de bem que estão envolvidas nos sindicatos e mais os ingénuos que acham que podem mudá-los por “dentro”. Obviamente, também não me apetece ficar quieto e acredito que muita gente também não quererá…

Então que fazer? Mostrar descontentamento, de forma autónoma mas concertada e em grupo, pode ser um bom caminho. Não tem de haver manifestações, no sentido clássico do termo, para que haja protesto. Era bom que conseguíssemos mostrar que nós, cidadãos, nos conseguimos organizar para produzir algo, sem depender de uma estrutura implantada e politicamente comprometida. Podemos todos trabalhar para o mesmo, ainda que de forma diferente e isso é bom e saudável.

São precisas ideias. É preciso pensar criativamente – aquela coisa que dá trabalho, sabem? – Sabem com certeza e eu também faço o meu mea culpa porque muitas vezes tenho mais que fazer, como todos vós. Proponho assim que se faça um “brainstorming” para reunir e debater ideias para realizar acções que mostrem o nosso descontentamento e a nossa determinação. De acordo com o conceito de brainstorming,a finalidade é reunir ideias, expô-las e debatê-las. Podem não fazer muito sentido numa primeira leitura, mas o que se pretende é que a criatividade flua e que seja possível associar ideias e refiná-las numa fase posterior. A caixa de comentários está à vossa disposição… Entretanto, vou actualizando este post com ideias que me venham surgindo.

Um símbolo apropriado?

Numa altura em que se antevê que a classe média – o que resta dela – irá receber um golpe de tal maneira brutal em 2011 que é de prever a sua extinção a breve prazo, a ideia de Portugal como um estado-nação gerido pela sociedade civil está em perigo. Um dos símbolos da nação é a bandeira. Se o Scollari nos levou a por a nossa bandeira hasteada em tudo o que era lado, porque não, nesta altura crítica, hastear a bandeira nas varandas ou outro local que  seja considerado apropriado, mas com o acrescento de uma faixa negra, em sinal de luto? Basta cortar uma faixa, enrolar e prender com alfinete…

Vamos a votos! (Calma, ainda não são as legislativas antecipadas… é só aqui para o PG)

Uma sondagem, meio a brincar, meio a sério. Podem assinalar mais do que uma ideia mas só podem, claro está, votar uma vez.

Este post é um pouco diferente do habitual… Não tem cartaz ou ilustração. É apenas um relatar de impressões.

Estava eu hoje de manhã a dar uma vista de olhos pela blogosfera, visitando os blogues dos “tempos heróicos” da resistência contra as políticas governamentais para a Educação; Umbigo, Profblog, Promova, Mup, APEDE e etc., quando deparo com o post do Kaos com um  título mais que perfeito: “Passeio pela Avenida”. Tal como ele, também eu tive a noção de que no sábado não fui lá fazer outra coisa senão passear… Cheguei pela lateral na avenida da Liberdade e esperei que passassem os professores para me integrar no corpo da manifestação e lá fui eu. Foi agradável e catártico; falei com velhos conhecidos da APEDE e do MUP. Trocámos desabafos…

Pendurados nos postes da avenida estavam já os cartazes das festas de Lisboa que irão começar dentro de dias. Nesses cartazes figuram imagens estilizadas com umas sardinhas antropomórficas. Não pude deixar de sorrir pois senti-me exactamente como uma sardinha alegre e contente a descer pela avenida abaixo… Tive a nítida sensação de que poucos dos que lá estavam acreditavam na utilidade da sua presença enquanto agentes de protesto. Nem os representantes partidários, nem os trabalhadores e professores e nem sequer os sindicatos encararam aquele evento como outra coisa que não fosse uma “prova de vida”; dizer a toda a gente, para fora e para dentro que “estamos vivos” e a fazer aquilo que sabemos fazer da mesma maneira e com os mesmos resultados de sempre. Foi penoso ouvir aquelas frases entoadas pelos pregoeiros de serviço; forma e conteúdo exangues da mais ínfima porção de criatividade, a repetição sincopada e mecânica. O ambiente era de protesto ameno e coreografado com a sofisticação de um baile de aldeia. Tudo se desenrolou mais de acordo com um comício-festa do que com uma manifestação de protesto, o que não deixa de ser estranho, numa altura em que nunca houve tantas e tão legítimas razões para protestar…

E a minha questão é: se é difícil para os próprios intervenientes terem confiança na eficácia da manifestação em que acabam de participar que tipo de atenção é que podem esperar receber das esferas do poder para com os seus pontos de vista? Que tipo de “mossa” poderá fazer um protesto destes nas convicções monolíticas daqueles que nos (des)governam? Nenhuma.

Por isso, esqueçam as contagens. Não interessa se foram 300, 200 ou 100 mil. Os números já não interessam. Quem, no caso dos professores, conseguiu reunir 120 mil e com esse feito não conseguiu nada já devia ter percebido que o caminho não era por aí. Não será pelo músculo mas sim pelos miolos que nós, porventura, poderemos conseguir uma mudança de atitude. E já agora, digam-me lá:  será que com governantes trapalhões e com uma certa tendência para a incompetência como são os nossos não haverá ninguém de entre as nossas fileiras que chegue para eles? Não haverá ninguém com ideias de resistência e de protesto que sejam inovadoras e eficazes? É evidente que sim!

Enquanto acabava a minha volta pela blogosfera, eis que recebo por mail, um trabalho de uma aluna minha para comentar. O trabalho tinha por título “Mudar de Vida”. Outro título certeiro, embora num outro contexto! Mudar de vida é o que temos de fazer no que respeita à forma de exercer a cidadania e o direito ao protesto.

Ideias precisam-se!!

©ProtestoGráfico

Temos de ir, mesmo sem apetecer muito engolir a costumada coreografia sindical. Porque calados e parados é que não…

Faço minhas as palavras divulgadas pela APEDE em:

“Razões para apoiar a Manifestação de 29 de Maio”

Porque temos sofrido, nos últimos vinte anos de governação, todo um conjunto de opções políticas, no domínio económico-financeiro, que apenas agravaram as insuficiências estruturais de Portugal, criando uma ilusão de desenvolvimento que se vê agora dramaticamente desmentida;

porque essas escolhas desastrosas, de que os Governos foram principais responsáveis, acompanharam o aprofundamento das desigualdades sociais entre os pobres, a classe média e os muito ricos, o aumento exponencial da corrupção e do tráfico de influências, a promiscuidade entre o sistema político-partidário e a esfera dos negócios privados, bem como a reinstauração de monopólios que alimentam os interesses de uns poucos, sem quaisquer vantagens para a economia nacional;

porque o nosso país continua à espera das reformas necessárias no campo da Educação e da Justiça, sem as quais continuaremos na cauda da Europa;

porque os dois principais partidos, que têm partilhado a governação deste país, estão hoje reduzidos a agências de emprego para políticos medíocres e carreiristas, com vergonhosos percursos pessoais, que não os têm, contudo, impedido de ascender a cargos de elevada responsabilidade, nos quais tomam, de forma sempre impune, decisões que hipotecam o futuro de Portugal;

porque são esses políticos, ao serviço de um mundo empresarial dependente de relações promíscuas com o Estado, que agora recorrem à receita invariavelmente seguida, sobrecarregando os trabalhadores com todos os encargos da crise e poupando os que, tendo-a gerado, mais lucraram com ela;

porque nenhuma das gravosas medidas agora impostas irá contribuir para ultrapassarmos, de forma duradoura e sustentada, a crise em que nos mergulharam, prevendo-se, pelo contrário, que a recessão seja acentuada, que o desemprego aumente ainda mais e que o endividamento continue a crescer;

porque toda esta política está desenhada para minar e destruir direitos sociais e laborais conquistados no decurso de décadas de lutas difíceis e duras;

porque é tempo de juntar os trabalhadores de todos os sectores profissionais, públicos e privados, para dizer BASTA;

porque é tempo de unir trabalhadores efectivos e contratados, empregados e desempregados, na certeza de que TODOS se encontram hoje precarizados e de que os direitos de uns são os direitos de TODOS;

porque é tempo de exigirmos uma inversão de políticas que não penalize os que sempre são penalizados e que responsabilize quem tem efectivamente de ser responsabilizado;

a APEDE apela a que TODOS participem na Manifestação do dia 29 de Maio, sem, contudo, deixar de manifestar o seu profundo descontentamento com a forma como as cúpulas sindicais têm vindo a conduzir o processo de luta dos professores, alienando aquela que deveria ser a sua base de apoio, assinando um acordo com o Ministério que preserva uma série de bloqueios graves na nossa profissão e enredando-se em contradições escandalosas no que toca ao concurso de colocação de professores.

Por isso, vamos estar na Manifestação de 29 de Maio sem abdicarmos da nossa atitude crítica, onde se destaca a exigência de um plano de luta consequente para os professores, com uma auscultação rigorosa às bases e total independência de interesses políticos-partidários.”

—-

E já agora, se ainda não leram, entretenham-se com (mais) esta lapidar crónica de Santanha Castilho: aqui.

Não basta estarmos sujeitos à subjectividade inerente a ser avaliados pelos nossos pares. A questão das cotas continua a minar o pouco que resta da credibilidade deste sistema dito de avaliação docente. Então não é que um professor, por pertencer a uma qualquer comissão de avaliação ou por ser avaliador tem uma quota específica? Isto para não falar nos membros da direcção… Foi um fartar vilanagem de Muito Bons, mesmo para aqueles que não tiveram aulas assistidas e portanto não foram avaliados na componente científico-pedagógica. Haja coragem para combater isto porque vergonha não há nenhuma!

Descarregar o cartaz aqui

O tempo… sempre o tempo! Ou, mais concretamente, a falta dele!

O visual do blogue já está renovado. Mais claro e acessível, penso eu. Vou tentar voltar ao activo o mais brevemente possível no protestográfico, uma vez que outras lides me têm absorvido completamente o tempo.

Uma abraço para os visitantes e até breve!

©ProtestoGráfico

“Suspender este modelo de avaliação iria causar ainda mais perturbação…”*

*Isabel Alçada, Ministra da Educação, 5 Nov 2009.

Isto é burrice, estratégia ou as duas coisas???

Arregacem as mangas, professores, que vem aí borrasca!

©ProtestoGráfico

Podemos admitir que o apelo ao “voto útil” é uma estratégia para garantir que não ganhe um determinado partido ou candidato. É um voto “contra”. Um voto pela negativa. A ideia é fácil de entender e em algumas situações até de aceitar. O problema é que o país já não aguenta tanto voto “contra”. Votar contra é sempre resolver parte do problema e deixar a outra parte adiada ad eternum. É importante reconhecer que esta atitude por parte dos eleitores tem ajudado a perpetuar um sistema que se cristalizou e calcificou no poder. Votámos contra Cavaco e elegemos Guterres. Votámos contra Guterres e elegemos Durão. Durão fugiu, não foi preciso votar contra ele. Votámos contra Santana e elegemos Sócrates… Estão a ver o enleio? (mais…)

©ProtestoGráfico

E já agora, os que não votam, que razões invocam? Algumas dessas razões serão, porventura, totalmente legítimas…