Archive for the ‘Campanhas negras’ Category

Por esta é que os nossos queridos líderes mundiais não esperavam…

É com um certo gozo que vejo os grandes líderes mundiais tremer perante as revelações das políticas menos claras, trafulhices e negociatas que têm lugar nas nossas barbas. O desespero é tal que estão a pressionar de uma forma despudorada e nunca vista todos os podem ajudar na revelação dessas “fugas”. A Amazon e a Paypal retiraram os seus acessos ao site da Wikileaks alegando “incitação à ilegalidade” a primeira e “violação da política de utilização” a segunda. Isto para não falar de um mandado de captura ao fundador do Wikileaks, por agressão sexual, que é tão “sólido” e verídico que as autoridades inglesas nem querem executar!…

Mas atenção… isto é a reacção dos governos ocidentais onde existe ainda uma certa necessidade de manter as aparências. Existem aqueles que nem reagem porque já não têm pingo de vergonha ou porque sabem que o povão está demasiado assustado ou empobrecido para reagir.

Info sobre o Wikileaks  aqui e  aqui.

Atenção! Actualização: Como ajudar o Wikileaks agora

Este continua no activo a disparar baboseiras…

Digam-me lá uma coisa… Como é que eu posso convencer os meus alunos do secundário a trabalhar para terem aproveitamento se, na situação de desempregados, podem facilmente aceder às “Novas Oportunidades” e ficar com o secundário feito com uma fracção mínima do trabalho que teriam de ter no ensino normal?

Palhaçada!

©ProtestoGráfico

Não é novidade mas apeteceu-me refrescar a memória para…

As DEZ estratégias de manipulação através da comunicação social de Noam Chomsky. Os “ornamentos” a vermelho são meus…

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto ‘Armas silenciosas para guerras tranquilas’)”.

NOVELAS, TALK SHOWS, FUTEBOL e, para a juventude, os ÍDOLOS e outros quejandos…

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

GRIPE A, TERRORISMO ISLÂMICO, CRISE ECONÓMICA MUNDIAL, BUROCRACIA…

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

O que se passa com a CARREIRA DOCENTE (!)….

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

A INCOMPETÊNCIA DAS CÚPULAS PORTUGUESAS PARA TUDO O QUE NÃO SEJA O PROVIMENTO DO SEU PRÓPRIO SUSTENTO JÁ É ENCARADA COMO UMA FATALIDADE…

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

A MENSAGEM DE INÍCIO DE ANO LECTIVO DE ISABEL ALÇADA FAZ-VOS LEMBRAR ALGUMA COISA??…

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

DESENVOLVIMENTO (Bacoco), PROGRESSO (Quimérico) NOVOS PARADIGMAS  e o SUPERIOR INTERESSE NACIONAL que, por coincidência, nunca coincide com os INTERESSES DOS NACIONAIS, diga-se PORTUGUESES…

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

UM MAU SISTEMA DE ENSINO, RECHEADO DE NOVAS OPORTUNIDADES E DE PROFESSORES A PREENCHER PAPELADA E A FREQUENTAR REUNIÕES, ATÉ DÁ MUITO JEITO… CIDADÃOS CULTOS E LIVRES-PENSADORES? NEM PENSAR!… DEMASIADO PERIGOSO!

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.

Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

…OU ENTÃO SER TUDO ISSO MAS LEVANDO AS PESSOAS A PENSAR QUE SÂO ESPERTAS, ESPECIAIS  E CULTAS… CINCO ESTRELAS!…

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

SOMOS OS CAMPEÕES NOS ANSIOLÍTICOS E ANTIDEPRESSIVOS A NÌVEL EUROPEU…

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

ISTO, JÁ NÃO SEI… MAS LÁ QUE TENTAM, À ISSO TENTAM!

Um Joker!

Posted: 02/08/2010 in Campanhas negras

© ProtestoGráfico

Não há limites para a desilusão…

Vamos lá ver se me lembro de uma medida imaginativa e sensata anunciada por esta senhora desde que está à frente dos destinos da educação… Ora, encerramento de escolas com menos de x alunos, possibilidade das criancinhas se candidatarem ao exame do 9º ano sem o terem concluído… ignorância olímpica das aspirações dos professores quanto à avaliação e horários de trabalho… deixa cá ver mais… Ah, sim, agora esta do objectivo do fim administrativo dos “chumbos”  porque as retenções “prejudicam” o sistema (!).

Esta senhora que até parecia tão simpática e ponderada afinal saiu-nos isto, um Joker!! Depressa, chamem o Batman!

©ProtestoGráfico

Foi difícil e cansativo manter uma resistência contra um ministério trapalhão e insensível à realidade vivida tanto por alunos como por professores. Agora, os professores têm ainda que arranjar forças e paciência para aguentar a complacência (leia-se incompetência) com que os sindicatos assistem inpávidos e serenos (se exceptuarmos aquelas declarações pirotécnicas de indignação dúbia para a imprensa e as manifestações da praxe) a todo o rol de medidas que vão sendo aprovadas e implementadas pela cartilha do neo-liberalismo economicista que rege este ministério da educação. Num momento que exigia acção firme, concreta e eficaz contra tudo o que foi claramente rejeitado pelos professores, desde a avaliação nos termos que corre, à gestão escolar, passando pelo nova questão dos mega-agrupamentos e dos concursos, os sindicatos demonstram uma clara falta de apetência para representarem não só os interesses dos professores (é para isso que cá estão, não tenhamos pruridos), como também os interesses do ensino público em geral.

Sobre o momento em que professores e sindicatos estiveram em uníssono na defesa de posições que eram justas e sobre o seu esvaziamento por falta de pulso e de estratégia já muito se escreveu e não vale a pena insistir no assunto. O que interessa é pensar como será o futuro pois a realidade crua e dura é que os professores se sentem abandonados.

Não gostaria que quem lesse estas frases ficasse com a ideia de que este é um discurso bota-abaixista, sem intenção construtiva de alternativas. Mas o que é certo é que para existir essa vontade de reformular construtivamente o ensino público é indispensável primeiro que existem sinais claros de recuo e inversão desta mentalidade gangrenosa que se instalou nos responsáveis actuais pelo ensino. Não é a razoabilidade das propostas alternativas que irá demover os actuais responsáveis. Já temos este facto mais do que provado. Infelizmente, é preciso derrubar primeiro para construir a partir daí, quase da “estaca zero”. É o preço a pagar pela complacência de todos nós…

Um artigo sobre esta questão:

Concurso 2010/11 – Uma Página Negra do Sindicalismo Docente – APEDE


Matrioska!

Posted: 12/06/2010 in Campanhas negras, Políticos

© ProtestoGráfico 2010

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Mas, por outro lado, os portugueses elegeram-no e portanto, merecem-no… A questão é que muitos portugueses se estão pura e simplesmente nas tintas para Portugal, está visto!

©ProtestoGráfico

Vacina para a Gripe A: O exagero, o alarmismo, o negócio…

Cada um fará como entender mas é sintomático que a maioria dos próprios médicos e enfermeiros não a queira tomar, apesar de pertencerem a grupos de risco.

E depois há as suspeitas de um esquema apressado e pouco estudado de desenvolvimento e comercialização da vacina e fortes suspeitas sobre os efeitos secundários provocados. E há também, individualidades a defender a sua dama e a recomendar despudoradamente a dita vacinação a grávidas e crianças… (mais…)

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©ProtestoGráfico

Outra vez??… Que atracção será esta entre os ovos e a ministra da Educação? 

Desta vez foi em Felgueiras. Parece que a ministra fez uma visita relâmpago à escola local mas nem mesmo assim escapou às “ofertas” de vários alunos que aparentemente se esgueiraram para ir comprar uns ovitos num supermercado das proximidades. Alunos ingratos! Depois de tudo o que a senhora fez por eles! Nem com as facilidades todas que a ministra ofereceu (as novas oportunidades, o regime permissivo das faltas, os exames fáceis, a desautorização dos professores, a complacência perante os casos de violência e indisciplina) estes pirralhos se mostram agradecidos!…

Ler mais aqui

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Pois é. Tenham medo… muito medo. Ou melhor ainda, acordem! Só a existência de uma campanha negra é que pode explicar o insucesso tão notório e endémico do nosso país. Só que a campanha é da parte da tutela política e das elites que, desgraçadamente, permitimos que se instalassem no poder. E o alvo somos nós. A Clara Ferreira Alves escreveu certeiro e demolidor sobre a questão da justiça que é um dos pilares fundamentais de qualquer estado dito de direito…

“Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido. 

Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, desde o 25 de Abril distribui casas de RENDA ECONÓMICA – mas não de construção económica – aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a “prostituir-se” na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos. 

Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora contínua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido. Para garantir que vai continuar burro o grande cavallia (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades. 

Gente assim mal formada vai aceitar tudo e o país será o pátio de recreio dos mafiosos. 



A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca. 

Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo “normal” e encolhem os ombros. Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada. 

Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas Consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado. 

Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve. 

Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são “abafadas”, como se vivêssemos ainda em ditadura. 

E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade. 



Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém quem acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos? 

Vale e Azevedo pagou por todos? 

Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida? 

Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático? 

Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico? 

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana? 

Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal? 



Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma. 

No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém? 

As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância. 

E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou? 

E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente “importante” estava envolvida, o que aconteceu? 

Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu. 

E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente “importante”, jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê? 

E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára? 

O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha. 

E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina? 

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca. 



Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento. 



Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade. 

Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os “senhores importantes” que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra. 



Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças , de protecções e lavagens , de corporações e famílias , de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade. 

Este é o maior fracasso da democracia portuguesa”



Clara Ferreira Alves – “Expresso”