Archive for the ‘Escola’ Category

Texto de um artigo publicado no blogue da APEDE sob a forma de um cartaz para descarregar e afixar na sala dos professores…

Perigo! Amianto!

Posted: 18/09/2009 in Acção!, Cidadania, Escola, Saúde

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Como é o do conhecimento geral, muitas escolas do país encontram-se presentemente em obras de ampliação e remodelação.  Um grande número dessas escolas (onde está incluída a minha própria) tem telhados de fibrocimento, prática comum na construção das escolas públicas há 20-30 anos atrás. O fibrocimento contem amianto, material que quando inalado sob a forma de poeira resultante do seu corte ou quebra, é altamente perigoso pela sua toxicidade e propriedades cancerígenas . É certo que existe um tipo de fibrocimento sem amianto mas esse é relativamente recente e é pouco provável que o que está instalado na maioria das escolas seja desse tipo. Também é mais que provável que ninguém nas escolas ou até mesmo os responsáveis no ministério da Educação saibam que tipo de fibrocimento é que foi instalado em cada escola. Tal só pode ser determinado através de análises. (mais…)

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Esta situação já deve ser sobejamente conhecida por todos os professores bem informados. Os não tão bem informados, podem ler aqui:

Blog MUP

Blog Pimenta Negra

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Outra vez??… Que atracção será esta entre os ovos e a ministra da Educação? 

Desta vez foi em Felgueiras. Parece que a ministra fez uma visita relâmpago à escola local mas nem mesmo assim escapou às “ofertas” de vários alunos que aparentemente se esgueiraram para ir comprar uns ovitos num supermercado das proximidades. Alunos ingratos! Depois de tudo o que a senhora fez por eles! Nem com as facilidades todas que a ministra ofereceu (as novas oportunidades, o regime permissivo das faltas, os exames fáceis, a desautorização dos professores, a complacência perante os casos de violência e indisciplina) estes pirralhos se mostram agradecidos!…

Ler mais aqui

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A avaliação docente tem sido, até agora, o principal foco de luta dos professores. Uma avaliação tipo empresarial, completamente desajustada da realidade humana que caracteriza a escola, foi sendo desbastada pela incontornável constatação dos seus absurdos, até se transformar apenas numa casca oca para consumo propagandístico. O novo modelo de gestão escolar, de cariz unipessoal, foi passando mais ou menos despercebido e é, no fundo, tanto ou mais gravoso do que esta avaliação. Com este novo modelo, os professores pura e simplesmente deixam de poder intervir nos destinos da escola a que dedicam os seus esforços e energias. Nem sequer o poderão fazer na vertente pedagógica, uma vez que perdem o direito de eleger os seus representantes nos Conselhos Pedagógicos. Esta motivação governamental para “fomentar o aparecimento de lideranças fortes” mais não é do que uma forma encapotada de promover o aparecimento de agentes dóceis e cordatos às políticas do ministério, eliminando todas as hipóteses de resistência e de discórdia.

A direcção colegial e democrática das escolas, com todos os defeitos que se lhe poderão apontar, foi uma das principais conquistas do regime democrático. Parece que há um certo número de pessoas que está convicto que a democracia, num sentido lato, é um empecilho ao exercício do poder. Mas como acabar com a democracia é “politicamente incorrecto”, tenta-se manter, na sociedade em geral e nas escolas em particular, uma aparência de democracia sustentada de facto por um “manda quem pode e obedece quem deve”.

Foi você que pediu um ditador na sua escola?…

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O episódio do desfile de Carnaval de Paredes de Coura é surrealista e levanta uma série de questões, mais trágicas do que cómicas…

Os pais apenas se agitam publicamente quando uma actividade lúdica é cancelada por falta de tempo? Então e os gravíssimos problemas que deveriam merecer a intervenção e colaboração efectiva dos pais?

Os pais querem assim tanto um desfile de Carnaval? Sim senhor… ofereceram os pais indignados a sua ajuda para viabilizar essa actividade? Não me consta!

A DREN ordena à escola que realize o desfile, que é manifestamente uma actividade extra-curricular??? Então e a autonomia das escolas é letra morta para consumo de quem quiser acreditar?? 

É a primeira vez que ouço falar num desfile de Carnaval OBRIGATÓRIO!! Surrealismo puro mas que indicia mentalidades perigosas por parte da equipa doentia que está à frente deste Ministério da Educação.

Mais informação aqui , aqui, aqui e também aqui

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Imagino que os casos (isolados) que ultimamente vieram a público sejam apenas uma pequena parcela dos episódios de violência que ocorrem dentro ou nas imediações da escola. E não falo apenas dos casos onde é exercida violência física… nem apenas de violência exercida entre alunos. Ah, e não esquecer a maior de todas as violências… a impunidade.

Para quem ainda não leu, deixo aqui um texto de Helena Matos.

“Medo e cobardia”

“É este espírito de medo, falta de princípios e cobardia que se incute diariamente nas escolas aos nossos filhos? É.”Uma menina de 10 anos teve que receber tratamento depois de ter sido espancada. Agressão foi praticada na própria escola [Escola Básica Integrada do Monte da Caparica, em Almada] e os agressores apontados pela garota são quatro alunos, seus colegas. A GNR investiga o caso.” Jornal de Notícias, 8 de Fevereiro

“A PSP vai comunicar ao Ministério Público a agressão sofrida, esta terça-feira, por um professor de Inglês da Escola Básica 2-3 Dr. Francisco Sanches, de Braga, que ficou a sangrar abundantemente depois de esmurrado pelo tio de um aluno, disse à Lusa fonte da corporação.” Portugal Diário, 11 de Fevereiro

Estas são duas notícias recentes de agressões em escolas portuguesas. Em qualquer escola do mundo, pública ou privada, pode acontecer uma agressão. Mas o que está a acontecer em Portugal não é nada disso. À semelhança dos desastres de avião que frequentemente resultam não dum grande problema mas sim dum somatório de falhas que isoladamente não têm grande importância mas em conjunto desencadeiam a catástrofe, também uma leitura deste tipo de notícias permite concluir que algo de profundamente anormal está a acontecer nas escolas públicas, em Portugal.
Por exemplo, no caso da agressão à menina na Escola Básica Integrada do Monte da Caparica, em Almada, verifica-se que a aluna foi agredida dentro da escola, durante uma hora. Nem funcionários nem professores deram por isso. Uma hora é muito tempo. E cinco crianças, isto a contarmos apenas a agredida e os agressores, envolvidas numa cena destas fazem uma certa algazarra. Mas admitamos que tal pode acontecer. Em seguida a criança agredida saiu da escola acompanhada por dois colegas, o que quer dizer que, pelo menos, entre os alunos já corria informação sobre a agressão. A menina tinha a roupa cheia de lama, sangue na boca e a cara esfolada. Mas saiu da escola, durante o período escolar, e repito: durante o período escolar, sem que qualquer funcionário ou professor considerasse que devia intervir. Ou teremos de admitir que uma criança neste estado consegue atravessar as instalações escolares e passar pela portaria sem que professores ou funcionários a vejam? É difícil entender que tal aconteça, mas admitamos que estava muito nevoeiro ou que estavam todos a contemplar o céu e logo também isto pode ser possível. Chegada a casa, a criança foi levada ao Hospital Garcia de Orta, cujo relatório citado pelo Jornal de Notícias diz o seguinte: “Criança de 10 anos, sexo feminino, vítima de agressão física por parte de quatro colegas da escola, todos com 11 anos. Hematoma facial esquerdo, dor abdominal e dorsolombar difusa, escoriações em ambas as palmas das mãos e lombares”. Face a este relatório, a “GNR investiga o caso”. Cabe agora perguntar o que faz a GNR no meio disto? Em relação aos agressores que nem sequer têm 12 anos não podem fazer nada. E sobretudo o que sucedeu naquela escola e está a suceder um pouco por todo o país é uma sequência de desresponsabilização por parte de professores e funcionários: não ver, não intervir, olhar para o outro lado tornaram-se a estratégia de sobrevivência numa escola sem autoridade nem prestígio. Na evidência dos hematomas ou das filmagens com telemóvel abre-se então um inquérito e apresentam-se queixas na polícia, como quem lava as mãos.
Passando para o caso da agressão a um professor numa escola de Braga, nota-se exactamente o mesmo receio de intervir: um homem entra numa escola ameaçando bater num determinado professor. Não consegue e espera-o à saída da escola, tendo concretizado a agressão à saída, perante várias testemunhas. Não conheço qualquer outro local de trabalho, além das escolas portuguesas, onde uma pessoa ameaçada saia do seu local de trabalho sem que alguns colegas o acompanhem.
É este espírito de medo, rebaixamento, falta de princípios e cobardia que se incute diariamente nas escolas aos nossos filhos? É. O vazio de autoridade nas escolas levou a isto: chama-se a polícia e abrem-se processos judiciais para tentar intervir em situações que um conselho directivo devia ter meios para resolver. Para cúmulo, deste ambiente perverso que levou à criminalização do quotidiano prometem-se agora câmaras de videovigilância para 1200 escolas. Alega o ministério que o Plano Tecnológico da Educação vai dotar as escolas de computadores, quadros interactivos e videoprojectores por cuja segurança estas câmaras irão zelar. Apanhando o comboio, muitas escolas esperam também que as câmaras dissuadam alguns actos de violência. Mas, como todas as semanas notícias como estas confirmam, o problema não é não ver. É não querer ver. Ou ter medo de ver. Quantos adultos viram aquela criança ser agredida na Escola Básica Integrada do Monte da Caparica? Nenhum? E nenhum a viu sair da escola com lama e sangue na cara? Ninguém viu o agressor à espera do professor de Inglês à porta da Escola Básica 2-3 Dr. Francisco Sanches, de Braga? O que fez falta nestas escolas não foram câmaras de videovigilância. O que fez falta foi não ter medo de assumir responsabilidades.”

in Público, 12/02/2009