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Abstenção, não!

Posted: 03/06/2009 in Democracia, Europa

AbstençãoNão

©ProtestoGráfico

Estar desencantado com a política e com os partidos não é argumento para nos alienarmos de exercer o mais básico direito de cidadania em qualquer democracia; o voto livre. A democracia, no seu conceito pleno, não se extingue no voto, estendendo-se a uma participação activa de todos no contínuo aperfeiçoamento da sociedade, com o fito de a tornar mas próspera e justa para todos.

A Europa é já aqui e diz-nos respeito. Penso que é uma boa ideia e vale a pena lutar por ela. Só o nosso voto pode, numa primeira instância, ajudar a baixar a “febre” neoliberal que parece ter assolado fortemente o velho continente. Precisamos também de reformar (nem que seja antecipadamente e sem penalizações) uma série de políticos oportunistas e de competência duvidosa que hoje infelizmente grassam com profusão quer no Parlamento Europeu quer nos governos nacionais. Como poderemos fazer isso ficando em casa no dia 7 de Junho?

Eu não vou faltar.

Ver também no ProtestoGráfico: Europa,Europa!

Europa, Europa…

Posted: 04/03/2009 in Europa, Políticas

novaeuropaja1

©ProtestoGráfico

Tinha 20 anos de idade quando Portugal aderiu à União Europeia e o sentimento quase geral nessa altura era de euforia. Finalmente estávamos no rumo da hoje tão falada convergência com os países desenvolvidos da Europa. Havia também um regozijo popular pelo assumir de uma herança cultural europeia relativamente à qual tínhamos estado de costas voltadas. Vinte e três anos e muitos milhões de euros de fundos comunitários depois, parece que tudo isto assume contornos de oportunidade perdida. Nem nós fomos bons “alunos” nem a Europa conseguiu produzir líderes com visão e carisma suficientes para a verdadeira construção de um ideal europeu. Estamos em risco de voltar hoje aos velhos nacionalismos europeus e a todos os riscos que isso implica. A Europa personifica uma série de valores de Democracia, Liberdade e Sustentabilidade Social e Ambiental, construídos sobretudo no período pós-1945. Eu ainda acredito numa construção europeia que não se baseie fundamentalmente no “business as usual“. Precisamos de uma “Nova Europa”, Já!

Sobre este assunto, um extracto da opinião de Joschka Fischer, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros alemão de 1998 a 2005, num artigo do jornal Público de 1 de Março de 2009:

A Europa em Marcha Atrás

“O lendário investidor americano Warren Buffet disse uma vez que “é quando a maré desce que se descobre quem andava a nadar nu”. Esta pequena pérola de sabedoria referia-se à situação de empresas numa crise económica. Pode ser perfeitamente aplicada aos países e às economias. A situação europeia está a suscitar uma preocupação crescente porque a crise económica global está a revelar de forma dramática as limitações e as fraquezas da União Europeia. Em primeiro lugar, ela tornou evidente aquilo que a UE perdeu com a rejeição do tratado constitucional: a confiança em si própria e o seu destino comum. Confrontada com a pior crise desde 1929, a América já fez a sua escolha por uma verdadeira renovação ao eleger Barack Obama, e agora está a reinventar-se a si própria. Em contraste, cada dia que passa parece dividir ainda mais os membros da União Europeia. Em vez de se reinventar a si própria, a Europa, sob a pressão da crise e das suas contradições internas, ameaça regressar aos egoísmos nacionais e ao proteccionismo do passado.” (…) “Quanto mais a crise se prolonga, mais se torna óbvio que o euro e o BCE não chegam para defender o mercado único e a integração europeia.”…