Archive for the ‘Memória’ Category

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Acho que está em boa altura de fazer uma retrospectiva – visualmente falando – daquilo que foi uma luta sem paralelo dos professores pela sobrevivência da sua dignidade profissional e contra uma certa ideia de escola pública que o governo de José Sócrates teimosamente tentou (tenta ainda) defender. É também para lembrar que esta luta está longe de ter terminado!

Bem hajam!

Protesto Gráfico

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Dia dezanove de Setembro não vou ficar em casa. Cheguei a pensar ficar quietinho até ao desenlace das eleições. Pensando bem, essa opção que poderia ser justificada pelo desgaste e/ou pela necessária poupança de energia agora que estamos com mais um ano lectivo à porta, não serve. Entendo que muito do que aconteceu nesta legislatura em matéria de achincalhamento da classe docente e destruição de uma certa ideia de escola pública aconteceu justamente devido ao nosso comodismo e a uma confiança excessiva na reactividade dos sindicados. (mais…)

Em dia de reflexão para as eleições do Parlamento Europeu, longe de mim querer influenciar alguém…

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Nem tudo foi a pique…

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Estamos em pleno “dia de reflexão” para as eleições do parlamento europeu. Reflexão puxa reflexão e acabei por fazer um balanço da legislatura do governo Sócrates. E o balanço não é bom… vá-se lá saber por quê! As preocupações deveriam ser genuinamente europeias e os assuntos e decisões deveriam andar à volta da inevitável questão do reforço da credibilidade que é necessário conferir à Europa enquanto espaço económico mas também enquanto espaço cultural e social.

Ao pensar em questões internas em vez de europeias, não estou a fazer nada que a maioria dos políticos nesta campanha não tenha feito também: um completo borrifanço, passo a expressão,  para as questões europeias em detrimento da vidinha nacional e da já corriqueira distribuição de culpas pelo estado da nação.

O ponto chave para inverter esta decadência do ideal europeu passa pelo esforço de nomear bons líderes para os governos nacionais que encarem a Europa na sua devida perspectiva. Trata-se de “arrumar a nossa casa” em primeiro lugar e depois pensar no bairro…

Voltando à tal reflexão retrospectiva, por puro deleite gráfico à mistura com uns pózitos de sátira corrosiva, surgiram estas representações do balanço da legislatura de maioria absoluta PS, entre 2004 e 2009. Tratou-se de mais um período de oportunidades grosseiramente desperdiçadas por parte de um aparelho partidário que, quanto a mim, claramente não merece uma segunda oportunidade neste quadro eleitoral que se vive. Espero que a memória dos portugueses seja suficientemente longa e o espírito suficientemente aberto para que novas oportunidades (reais, não aquelas do Ministério de Educação) surjam para Portugal.

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Depois da anestesia comemorativa que vimos no 25 de Abril passado, era bom que passássemos a um pouco de acção. Existem razões para protestar, para querer mudar de rumos e de políticas. Disso só não tem dúvidas quem é “alimentado” por este sistema partidocrata e está dele estritamente dependente. Lembram-se do 1º de Maio de 1974? Foi a maior manifestação jamais realizada em Portugal, com perto de 1.000.000 de pessoas. Eu tinha 8 anos e dela me recordo apenas através de fragmentos das reportagens televisivas que vi na altura.

Vai haver no próximo 1 de Maio uma manifestação em Lisboa do Largo do Martim Moniz até à Alameda D. Afonso Henriques, com começo às 14.30h. Não me interessa quem a convocou. Sou professor e, neste momento, não acredito numa manifestação de professores, nem numa manifestação de funcionários públicos, nem numa de enfermeiros, médicos ou polícias. Acredito numa manifestação de Portugueses que tentem recuperar um pouco da sua união e da sua identidade. À falta de uma outra circunstância mais feliz que nos una, que seja o descontentamento a fazê-lo.

Resumo de iniciativas para o 1º de Maio, retiradas de um dos meus blogs preferidos, o Pimenta Negra:

Mayday, Porto

1ª Maio Anticapitalista. Lisboa

1º Maio, CGTP, vários locais

Parada Mayday, Lisboa e Porto

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Indesejada!

Posted: 29/12/2008 in Indignação, Memória

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“Perdi os professores mas ganhei a população”

Na altura, esta frase marcou-me profundamente pela arrogância e pelo desplante. Fazer uma afirmação destas, num país “à séria” era logo um bilhete para a demissão certa. Esta senhora espera que a classe que supostamente deve gerir e com a qual deveria trabalhar em conjunto a respeite? Difícil. Afirmações deste tipo e os desnortes que operou (e tem operado) no sector do ensino público, levaram-me a eleger a ministra da Educação como um dos temas favoritos para intervenção gráfica. Uma longa “parceria” que ainda hoje se mantém e que só terminará quando esta senhora abandonar o mandato que ficará para a história como a maior desgraça que alguma vez se abateu sobre o ensino público português.

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Um típico caso de “faz o que eu digo mas não faças o que eu faço…”

“O primeiro-ministro, José Sócrates, o ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho, e vários membros do gabinete do chefe do Governo violaram a proibição de fumar no voo fretado da TAP que ligou Portugal e Venezuela e que chegou às cinco horas da manhã de ontem a Caracas (hora de Lisboa, 23h30 na capital venezuelana). O assunto foi muito comentado durante o voo por membros da comitiva empresarial que acompanha Sócrates e causou incómodo a algum pessoal de bordo. (in Público 13.05.2008).”

José Sócrates, ao ser confrontado com a situação, alegou desconhecimento da lei. Essa mesma lei em que tanto se tinha empenhado para levar a cabo grandes restrições ao consumo de tabaco em locais públicos.

Não sou fumador e, nas linhas gerais, até concordo com esta lei. Mas este episódio aparentemente insignificante de “prevaricação” por parte do primeiro ministro e o contexto em que o mesmo ocorreu, fez-me perceber, pela primeira vez, que não podia ficar calado e quieto face à conduta daqueles que nos governam. Este simples acender de cigarro encerrou em si algo de simbólico e de sintomático daquilo que ocorre na vida política portuguesa. Os políticos, em graus variáveis, habituaram-nos a uma certa dose de demagogia. Poder-se-á dizer que estão a fazer pela (sua) vida, apesar de assumirem a defesa do supremo interesse nacional… O problema é que nós, cidadãos, não estamos a fazer pela nossa vida, isto é, não estamos a exigir dos governantes que se portem à altura das circunstâncias e que, sobretudo, dêem o exemplo, exigindo a si próprios no mínimo, aquilo que tão afincadamente exigem para os outros…

Compete-nos a nós, cidadãos, exercer mais pressão do que somente votar de quatro em quatro anos e dar carta branca para tudo e mais alguma coisa a quem nos governa. É preciso não pactuar, denunciar e exigir! Dá mais trabalho do que desligar o cérebro na novela ou na bola mas é esse o caminho. Ou isso ou comer e calar…