Archive for the ‘Políticos’ Category

Meus caros e selectos leitores,

A vantagem do clima político deste país é que, sendo tão previsível, tão pobre, tão rarefeito de ideias válidas e tão incapaz de superar os seus problemas, um blogger com interesses no design gráfico (tal como eu) não precisa de criar quase nada de novo para estar actualizado no comentário. Qualquer cartaz ou panfleto criado há dois ou três anos continua perfeitamente actual; os problemas e os casos são os mesmos, os protagonistas são os mesmos e as soluções são as mesmas, isto é, nenhuma que se aproveite. Isto a propósito da espectacular medida de engenharia financeira anunciada hoje decretando que será o contribuinte a pagar, ao longo de dez duros anos, o calote deixado pelo BPN.

Mas para explicar isto muito melhor que eu, nada como deixar aqui um texto de Carlos Ferreira Madeira, publicado no ionline. Como “complemento gráfico” este continua perfeitamente actualizado…

Desculpe, mas é você quem vai pagar o BPN…

Compraria o BPN por um euro? Se tivesse juízo, provavelmente não o faria nem que lhe dessem 100 milhões. Sucede que a decisão não está nas suas mãos. Alguém decidiu por si. E você paga.

O buraco do Banco Português de Negócios, de 2 mil milhões de euros, vai ser coberto pelo Estado. Como quem sustenta o Estado são os cidadãos, a consequência parece óbvia: a factura do BPN vai sair dos bolsos dos contribuintes nos próximos dez anos (zoom pp. 16-17), à ordem dos 200 milhões de euros anuais para que o impacto nas contas deste Estado endividado até ao tutano seja diluído no tempo.

Aquela notável decisão política de Novembro de 2008, que anima agora a discussão política na véspera das presidenciais, baseou-se numa mentira brutal. A acreditar no que diz Cavaco Silva, que manifestou dúvidas sobre a solução para o BPN, nacionalizar foi a única opção que tanto o governo como o Banco de Portugal defenderam para o banco. De facto, teria sido uma grande chatice se o BPN tivesse ido à falência. Teríamos então de questionar para que servia o Banco de Portugal.

E o que nos dizia, à data, o governo? Que era preciso evitar o risco sistémico e garantir os depósitos dos portugueses. Que a Segurança Social tivesse uma conta no BPN na ordem dos 700 milhões de euros, eis um pormenor insignificante.

Sucede que o BPN não tinha dimensão para constituir um risco sistémico para a banca nacional: esta é hoje a avaliação dos profissionais que trabalham no sector financeiro.

Em Junho de 2009, o ministro das Finanças Teixeira dos Santos disse uma frase no parlamento que o tempo provou ser um grande embuste. Perante a solução proposta por Miguel Cadilhe para reequilibrar o balanço do BPN, que passava pela injecção de 600 milhões de euros por parte do Estado, Teixeira dos Santos disse: “O valor do capital a injectar pelo Estado seria duas vezes mais, ou seja, pelo menos 1,5 mil milhões de euros. Teríamos um problema maior se não tivéssemos nacionalizado.”

Espero que alguém obrigue Teixeira dos Santos a ouvir esta afirmação singela todos dias durante o resto da sua vida. Porque é esta frase que justifica a factura de 2 mil milhões a pagar nos próximos dez anos. O preço, de resto, pode ser superior. O BPN recebeu injecções de liquidez de 4,8 mil milhões de euros via Caixa Geral de Depósitos. A CGD emprestou o dinheiro contra a garantia do Estado, o que significa que, caso o BPN deixe de pagar, o Estado assume a responsabilidade. E só nesse caso saberemos a real dimensão do buraco.

Considerando, apesar de tudo, a benevolência do preço de 2 mil milhões, a verdade é que a situação financeira líquida negativa do banco é de 2,5 mil milhões de euros. O Estado prepara um aumento de capital de 500 milhões que deverá realizar-se ainda este mês.

Foram já criadas três sociedades para estabelecer o que poderíamos chamar um bad bank, veículos que serão utilizados para colocar os activos tóxicos do BPN e que podem ainda valer algum dinheiro.

Mas atenção: o dinheiro perdido no BPN foi parar aos bolsos de alguém. O BPN emprestava a troco de uma mão cheia de nada. Quando o Estado decidiu nacionalizar, passou a factura para os portugueses. É justo, não é?

Convém não esquecer que os accionistas do BPN estavam contra a nacionalização e agiram judicialmente contra o Estado. Se os tribunais lhes derem razão o Estado será condenado a pagar outra vez. Imagina de onde virá o dinheiro? Exacto.

Matrioska!

Posted: 12/06/2010 in Campanhas negras, Políticos

© ProtestoGráfico 2010

©ProtestoGráfico

Pronto! Ganhou.

Que posso eu dizer? Que corra tudo pelo melhor, a bem do país…

©Protestográfico

Quem não conhece ou não entende a história está condenado a repeti-la. Desde o ínicio do mandato deste governo que fiquei intrigado com a explícita animosidade demonstrada face aos professores. Pensei, ao princípio, que fosse uma questão de estilo, uma espécie de “falar grosso” para meter a casa em ordem. Mas não. Tratava-se de um plano de acção muito mais vasto. Estou hoje convencido que esta animosidade que o governo PS nem se deu ao trabalho de disfarçar é uma questão de regime. Os professores (e digo isto sem laivos corporativistas) são uma das classes profissionais mais cultas e, sobretudo, com uma maior consciência política e social. Por isso foram desde logo um alvo a abater. Todo o mandato foi caracterizado pela tentativa de proletarização e domesticação dos professores. A ideia era transformá-los em meros funcionários públicos submissos e executores das políticas educativas de base mercantilista emanadas deste governo cujo rótulo de “socialista” só pode ser uma piada e uma afronta ao conceito ideológico, político que é o verdadeiro socialismo. (mais…)

Regressoalua

©Protestográfico

Volvidos 40 anos sobre a ida do primeiro ser humano ao nosso satélite natural, começa a falar-se seriamente em lá voltar, desde que haja candidatos para tão arriscada façanha. Eu conheço um(a)… Que acham?

É que, pelo andar da carruagem, a senhora vai continuar a dizer disparates mesmo até ao final do seu já demasiado longo mandato.

Novo Socrates1

©ProtestoGráfico

Será que vamos assistir a mais um milagre do marketing político? Nada se baseia naquilo que verdadeiramente é mas sim na mensagem que se faz passar. Depois do desaire eleitoral destas eleições, decidiu a comissão política do PS que o “novo” Sócrates será mais humilde e dado ao diálogo… apesar de já ter afirmado que está muito satisfeito com ele próprio.

É por isso que este PS não vai a lado nenhum nem o país vai a algum lado com ele.

Mais sobre a figura aqui

Ondeparaonossodinheiro

©Protestográfico

Será que já não vale a pena nos indignarmos?

Somem-se milhões de bancos e empresas, existem clientes defraudados, existem passivos que são cobertos com o dinheiro dos contribuintes, faz-se uma nacionalização (do BPP) com uma diligência tal que pareceria estarmos no longínquo PREC  e tudo “para muitos milhares de portugueses não verem as suas economias em risco” como afirmou o ministro das finanças. Se pensarmos que, para abrir conta no BPP eram necessários 250.000 euros, fica-se com uma ideia do tipo de clientes cujas “poupanças” foram garantidas.

Temos administradores de bancos que fazem negócios de milhões e ficam amnésicos

Temos um presidente do Banco de Portugal que vai sobranceiramente prestar declarações à assembleia da república e diz nenhuma responsabilidade ter sobre os assuntos em causa, aproveitando de caminho para realçar a ignorância dos deputados sobre matérias económicas…

Depois são as derrapagens e os ajustes directos nas obras públicas. São as intenções de investimentos elefantinos em auto-estradas e TGV´s.

Alguém me quer fazer acreditar que não andam alguns (poucos) a ganhar muito dinheiro à custa de muitos que ganham bem menos? E ainda para mais, é tudo legal!

tgvsalvacao

©ProtestoGráfico

Alguém com os pés minimamente assentes na terra poderá acreditar que a grande via de combate à crise reside na construção de uma linha de TGV com um custo de perto de nove mil milhões de euros, não contando com as derrapagens orçamentais do costume? Eu até gosto de comboios. É uma coisa que vem de infância. Confesso que um TGV novinho em folha a dardejar pelos campos deste nosso Portugal até poderia fazer-me acreditar, por breves momentos que fossem, que estaríamos num país desenvolvido. Mas acorde quem ainda está embriagado com o brilho da tecnologia! Nós não precisamos do TGV. É óbvio que ter infra-estruturas modernas e funcionais é necessário e a opção ferroviária é boa. No entanto, existem alternativas de modernização da linha Lisboa-Porto (como por exemplo o alfa-pendular) que encurtariam o tempo de viagem por uma fracção do custo do TGV.

A pressa em lançar este investimento faraónico pode ter várias explicações. Na melhor das hipóteses, uma convicção provinciana nas virtudes sociais do investimento, com a criação de postos de trabalho (pelo menos enquanto a obra durar). Na pior, poderá tratar-se pura e simplesmente de assegurar que os contratos chorudos para as empreitadas de construção ficam nos “boys” certos antes da possibilidade de um resultado desfavorável nas próximas eleições legislativas deitar tudo a perder.

No mínimo, uma decisão deste peso económico, deveria ser adiada para depois das eleições como fez notar e bem Paulo Rangel. Os partidos esclareceriam nos seus programas eleitorais as suas opções face a esta questão e os portugueses avalizariam ou não a decisão nas urnas.

O investimento gigantesco no TGV, além de pagar uma opção mais económica como o Alfa pendular, ainda sobraria para pagar numerosas pequenas empreitadas na área da requalificação urbana, escolas, centros de saúde e outras infra-estruturas de que estamos realmente carenciados.

Sobre a visão muito própria do primeiro ministro sobre este assunto, o comentário do Miguel Gaspar, no Público.

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Outra vez??… Que atracção será esta entre os ovos e a ministra da Educação? 

Desta vez foi em Felgueiras. Parece que a ministra fez uma visita relâmpago à escola local mas nem mesmo assim escapou às “ofertas” de vários alunos que aparentemente se esgueiraram para ir comprar uns ovitos num supermercado das proximidades. Alunos ingratos! Depois de tudo o que a senhora fez por eles! Nem com as facilidades todas que a ministra ofereceu (as novas oportunidades, o regime permissivo das faltas, os exames fáceis, a desautorização dos professores, a complacência perante os casos de violência e indisciplina) estes pirralhos se mostram agradecidos!…

Ler mais aqui

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©ProtestoGráfico

Pois é. Tenham medo… muito medo. Ou melhor ainda, acordem! Só a existência de uma campanha negra é que pode explicar o insucesso tão notório e endémico do nosso país. Só que a campanha é da parte da tutela política e das elites que, desgraçadamente, permitimos que se instalassem no poder. E o alvo somos nós. A Clara Ferreira Alves escreveu certeiro e demolidor sobre a questão da justiça que é um dos pilares fundamentais de qualquer estado dito de direito…

“Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido. 

Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, desde o 25 de Abril distribui casas de RENDA ECONÓMICA – mas não de construção económica – aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a “prostituir-se” na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos. 

Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora contínua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido. Para garantir que vai continuar burro o grande cavallia (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades. 

Gente assim mal formada vai aceitar tudo e o país será o pátio de recreio dos mafiosos. 



A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca. 

Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo “normal” e encolhem os ombros. Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada. 

Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas Consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado. 

Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve. 

Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são “abafadas”, como se vivêssemos ainda em ditadura. 

E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade. 



Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém quem acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos? 

Vale e Azevedo pagou por todos? 

Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor Beleza com o vírus da sida? 

Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático? 

Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico? 

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana? 

Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal? 



Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma. 

No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém? 

As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância. 

E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou? 

E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente “importante” estava envolvida, o que aconteceu? 

Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu. 

E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente “importante”, jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê? 

E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára? 

O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha. 

E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina? 

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca. 



Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento. 



Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade. 

Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os “senhores importantes” que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra. 



Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças , de protecções e lavagens , de corporações e famílias , de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade. 

Este é o maior fracasso da democracia portuguesa”



Clara Ferreira Alves – “Expresso”

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Margarida Moreira, Novembro 2008

Último “cromo” da série, e o mais assustador. Não pela face que a senhora exibe mas pelo receio da possibilidade, ainda que remota, de ela ter razão… Quero acreditar que não.

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Maria de Lurdes Rodrigues, Junho de 2006

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Valter Lemos. 24 Janeiro 2008

Mais um “cromo” para a colecção… Alguém tem para a troca?

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Jorge Pedreira. Novembro, 2008

Esta e outras incríveis citações dos nossos ilustres “timoneiros pedagógicos” já andam há algum tempo a circular na net e não são novidade para (quase) ninguém. No entanto, não resisti à tentação de interpretar isto à minha maneira, visualmente falando…

Não dá vontade de trabalhar em conjunto com eles, como se fossemos todos uma grande família??

Salvar a face?

Posted: 02/01/2009 in Educação, Políticos

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Apesar de ter recebido certamente instruções superiores para assumir uma atitude mais “low-profile” e de, consequentemente, nos ter brindado menos amiúde com a sua presença nos média, não devo andar muito longe da verdade ao afirmar que a sua alva face não nos deixou grandes saudades… A esse respeito, não conte a srª Ministra que a ajudemos a salvar a sua face, perdida inexoravelmente ao longo destes três anos de implementação das suas “reformas” no ensino.

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Infelizmente, esta imagem criada há alguns meses, continua actual. O perigo ainda existe. Estou convicto que, das duas uma: Ou este trio desaparece da cena política ou é o ensino público que acaba por desaparecer. Fazendo as contas, é quase certo que tinha ficado mais barato ao estado português pagar-lhes uns principescos ordenados em Bruxelas como deputados europeus, de que suportar os danos a longo prazo (infinitamente superiores) que esta trupe infligiu à escola pública e ao país.

Confesso que fui um dos que contribuiu para eleger o engenheiro Socrates como primeiro ministro. Pelo facto peço encarecidamente desculpa a todos os portugueses… É evidente que não tenciono repetir o erro. No entanto espanta-me a existência daqueles indivíduos que, com memória extremamente curta, se esquecem do mal que os desgovernantes oriundos do PS e PSD tem feito aos portugueses nestas últimas duas décadas; a sua arrogância, a sua completa displicência em dispôr do erário público para realizar investimentos elefantinos, o compadrio com os grandes interesses económicos, a imoralidade e falta de integridade, as políticas desastrosas ou, no mínimo, ineficazes… no fundo, e para resumir, a total falta de craveira governativa, sentido de estado e estatura moral. Este sistema perpetua-se a si mesmo com a alternância entre os dois partidos principais que se transformaram em agências de defesa dos interesses dos seus correligionários.
MERECEMOS MELHOR
Circula por aí uma campanha que diz: “Sou professor e não voto PS”. Eu pretendo mais… Digo. “Sou professor e não voto PS nem PSD”.

E nos outros, logo se verá…

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Um típico caso de “faz o que eu digo mas não faças o que eu faço…”

“O primeiro-ministro, José Sócrates, o ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho, e vários membros do gabinete do chefe do Governo violaram a proibição de fumar no voo fretado da TAP que ligou Portugal e Venezuela e que chegou às cinco horas da manhã de ontem a Caracas (hora de Lisboa, 23h30 na capital venezuelana). O assunto foi muito comentado durante o voo por membros da comitiva empresarial que acompanha Sócrates e causou incómodo a algum pessoal de bordo. (in Público 13.05.2008).”

José Sócrates, ao ser confrontado com a situação, alegou desconhecimento da lei. Essa mesma lei em que tanto se tinha empenhado para levar a cabo grandes restrições ao consumo de tabaco em locais públicos.

Não sou fumador e, nas linhas gerais, até concordo com esta lei. Mas este episódio aparentemente insignificante de “prevaricação” por parte do primeiro ministro e o contexto em que o mesmo ocorreu, fez-me perceber, pela primeira vez, que não podia ficar calado e quieto face à conduta daqueles que nos governam. Este simples acender de cigarro encerrou em si algo de simbólico e de sintomático daquilo que ocorre na vida política portuguesa. Os políticos, em graus variáveis, habituaram-nos a uma certa dose de demagogia. Poder-se-á dizer que estão a fazer pela (sua) vida, apesar de assumirem a defesa do supremo interesse nacional… O problema é que nós, cidadãos, não estamos a fazer pela nossa vida, isto é, não estamos a exigir dos governantes que se portem à altura das circunstâncias e que, sobretudo, dêem o exemplo, exigindo a si próprios no mínimo, aquilo que tão afincadamente exigem para os outros…

Compete-nos a nós, cidadãos, exercer mais pressão do que somente votar de quatro em quatro anos e dar carta branca para tudo e mais alguma coisa a quem nos governa. É preciso não pactuar, denunciar e exigir! Dá mais trabalho do que desligar o cérebro na novela ou na bola mas é esse o caminho. Ou isso ou comer e calar…