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Se isto não for só um “descer de avenida” com palavras matraqueadas, até poderá ter interesse vir para as ruas viver o dia e o momento…

Iniciativas vão aparecendo. Começa a formar-se um bom “programa de festas”. Duas sugestões para Lisboa;

Concentração frente ao ME

Espectáculo da greve

Venham mais, que ainda estamos a tempo…

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Acho que se não for assim, nem vale a pena começar…

Para imprimir, clicar aqui.

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Passando a blogosfera em revista, deparei com este post dos Precários Inflexíveis, sobre a ameaça velada de algum patronato sobre os que pretendem fazer greve no dia 24 de Novembro. A adesão a uma greve deve ser uma decisão livre de cada um. Assim como não acredito em piquetes para obrigar a fazer greve quem não quer, também não simpatizo com situações de chantagem sobre quem quer fazer. Por isso, esbocei este cartaz/ panfleto para quem quiser divulgar…

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Ora digam-me lá se este raciocínio não tem lógica:

Faz sentido manter uma estrutura de avaliação que serve para efeitos de progressão se as progressões estão congeladas?

Já nem se trata da questão de saber se a ADD actual (que continua a trapalhada que sabemos) é boa ou má, se funciona ou não. Só mesmo um regime completamente desorientado pode manter uma engrenagem que consome milhares de horas de trabalho aos professores com rigorosamente ZERO proveitos e consequências. Não acham que é de começar a lutar por isto? E quem diz professores diz toda a função pública, enquanto o “congelamento” se mantiver…

A propósito da ADD, um texto de Ana Paula da Silva Correia e José Rodrigues Ribeiro que me foi enviado por mail:

Uma avaliação de desempenho muito pior que a anterior

O anterior modelo de avaliação expunha com excessiva clareza os seus objectivos – impedir a maioria dos professores de progredir na carreira e moldá-los para a submissão aos políticos locais, a quem as escolas vão ser entregues. Mais, baseava-se numa rígida e artificial divisão dos professores da cada escola entre titulares e não titulares, de longe a categoria mais numerosa. Assim, atraiu rapidamente a justa contestação dos professores e teve os seus dias contados.

O modelo actual veio com pezinhos de lã. Não houve crispação entre Ministério e sindicatos – as negociações foram até bastante pacíficas e culminaram num acordo. A tutela aprendeu com os erros cometidos e, à estratégia de afrontamento público seguida pela anterior equipa, sucedeu uma postura discreta e dialogante, quase poderíamos dizer de sedução dos professores. Não houve também concurso público nacional (como o de titulares, em 2007) para escolher quem vai avaliar (a opção pela inócua designação de relatores foi também tudo menos inocente) e quem vai ser avaliado – a selecção teve lugar, recatadamente e sem fazer ondas, no seio de cada escola. Houve ainda o cuidado de tornar facultativas para a maioria (por enquanto…) algumas das obrigações mais contestadas: aulas assistidas e objectivos individuais. E, não menos importante, instalou-se o tabu em torno do tema, quase ausente dos discursos dos responsáveis políticos e sindicais, mas também da imprensa, dos blogues … e das salas dos professores. Ninguém fala da avaliação do desempenho!

Contudo, o modelo de 2010 persegue exactamente os mesmos objectivos para os quais foi criado o tão contestado modelo de 2007. Pior, é-lhe superior nas consequências perversas e ruinosas para a qualidade do ensino e para a dignidade dos profissionais da educação que a sua implementação irá trazer. O bonito papel de embrulho não consegue esconder que as suas premissas são ainda mais insustentáveis do que as da versão produzida pela equipa de Maria de Lourdes Rodrigues. Vejamos porquê:

  1. 1. Avaliadores e avaliados são concorrentes na mesma carreira profissional, o que fere inapelavelmente as garantias de imparcialidade.

As perspectivas de progressão na carreira de cada professor dependem, não apenas da sua própria classificação, como também da que os outros professores da mesma escola tiverem. Ora, avaliados e avaliadores pertencem à mesma escola e são muitas vezes concorrentes aos mesmos escalões da carreira, o que (por si só) constitui um forte motivo de impedimento.

E, mesmo quando pertencem a escalões diferentes, é óbvio que o avaliador tem interesse directo nas classificações atribuídas ao seu avaliado: se estiver posicionado em escalão superior, só terá a perder com a subida de escalão daquele, pois tornar-se-á concorrente directo numa futura transição de carreira, aumentando ainda as hipóteses de o poder vir a substituir como avaliador; se, o que a lei permite em determinados casos, o avaliador pertencer a um escalão de carreira inferior ao do seu avaliado, é-lhe oferecida a possibilidade de, através da classificação que atribuir, o fazer marcar passo na carreira e poder alcançá-lo, conferindo assim solidez ao seu recém-adquirido estatuto de avaliador.

Independentemente dos incontornáveis impedimentos legais, dificilmente se poderia conceber um esquema mais maquiavélico de “avaliação entre pares”, que só poderá ter como resultado a degradação do clima de trabalho nas escolas. Quanto ao princípio da imparcialidade, foi feito em pedaços.

  1. 2. A divisão entre professores e professores titulares não acabou. Foi substituída pela divisão entre avaliadores e avaliados.

Embora o Estatuto de 2010 tivesse retomado (em teoria) a carreira única, o novo modelo de avaliação reintroduziu (na prática) a divisão dos professores em duas categorias. Com a agravante de a actual divisão conseguir ser ainda mais artificial e arbitrária que a anterior. Mais artificial, porque relatores e avaliados, como pertencem à mesma carreira profissional e desempenham a mesma (e nobre) função de ensinar, não faz qualquer sentido a separação das suas competências em matéria de avaliação, isto já sem falar nos impedimentos daí decorrentes, a que atrás se aludiu. Mais arbitrária, porque se o concurso dos titulares foi feito em obediência a regras que – embora muito discutíveis e nem sempre respeitadas – apresentavam ainda assim alguma objectividade e universalidade, na selecção dos relatores prevalecem a ambiguidade e a falta de transparência, como adiante se verá.

Acresce que, para consolidar o estatuto (e conquistar a adesão) dos novos “professores de primeira”, foram-lhes prometidas para breve acções de formação a eles em exclusivo destinadas. Numa época de contenção, em que não há dinheiro para os salários dos professores …

  1. 3. Na escolha dos avaliadores não preside o mérito, mas apenas a vontade dos directores e dos coordenadores de departamento.

A pirâmide dos avaliadores é encimada pelo director da Escola que nomeia e avalia os coordenadores de departamento. Estes escolhem e avaliam os relatores que vão, por sua vez, avaliar o restante corpo docente.

A legislação estabelece que o relator deve (mas o sempre que possível dá pano para mangas) pertencer ao mesmo grupo disciplinar que os seus avaliados e ter maior ou igual posicionamento na carreira e grau académico do que estes, mencionando ainda uma hipotética “formação especializada em avaliação do desempenho” que não se sabe bem o que significa. É porém completamente omissa quando ao modo como estes diferentes critérios são ponderados e compatibilizados.

Mas a ambiguidade não fica por aqui. A lei diz também que, no caso de o docente com maior posicionamento na carreira não ser escolhido como relator (é curioso que esta eventualidade tenha merecido destaque), o coordenador pode escolher como seu relator um docente com uma posição na carreira que lhe seja inferior. Por outras palavras, o posicionamento na carreira poderá não valer rigorosamente nada.

O mesmo se passa com o exercício de outras funções. Como conceber que um coordenador de grupo disciplinar, com competências no âmbito da orientação cientifica e pedagógica de todos os docentes do seu grupo, tenha as suas aulas assistidas e seja orientado por um desses docentes, no caso deste ser nomeado relator?

E outras situações não menos absurdas são igualmente possíveis e até comuns. Apenas a talhe de foice, refira-se que (não sabemos se por iniciativa das escolas ou da tutela, mas sem dúvida para criar uma sólida base de apoio ao modelo) parece existir tendência para haver o maior número possível de relatores – chegam a existir três relatores por grupo disciplinar, sendo os avaliados repartidos entre eles sabe-se lá com que critério. Dividir para reinar?

Resta acrescentar que, em virtude da ausência de critérios objectivos de selecção e atendendo ao facto do coordenador não apenas ter a faculdade de o escolher, mas também de o classificar, os relatores têm tudo a ganhar em atribuir as classificações dos seus avaliados em sintonia com a opinião dos coordenadores e, em última análise, do próprio director, dado que este é quem nomeia e avalia os coordenadores e preside ao júri que aprecia as propostas de avaliação dos relatores.

  1. 4. Não existe objectividade nos instrumentos e métodos de avaliação a utilizar.

Outro aspecto não menos gravoso, por acentuar o impacto da falta de imparcialidade no processo de avaliação, é a ausência completa de padrões e metas de avaliação minimamente objectivos, bem como de instrumentos de avaliação fiáveis e precisos.

Nas fichas de avaliação do modelo antigo, aspectos como a assiduidade às aulas e ao restante serviço docente ou as classificações obtidas em acções de formação eram traduzidos de forma objectiva em classificações a atribuir aos respectivos parâmetros.

Agora, acabam de aparecer uns “padrões de desempenho docente”, que supostamente irão servir para a definição dos instrumentos de avaliação a utilizar em cada escola. Embora repletos de vacuidades, expõem ad nauseam um certo número de orientações que traduzem claramente a opção ideológica de quem os elaborou, bem como às fichas de avaliação global.

Basta atentar nalguns dos indicadores e descritores escolhidos para a avaliação do trabalho dos professores: reconhecimento da relevância do trabalho colaborativo na prática profissional, reconhecimento da importância da dimensão comunitária na acção educativa, planificação com os pares, participação em projectos de trabalho colaborativo na escola, envolvimento em projectos que visam o desenvolvimento para a comunidade, etc., etc. Até a formação profissional docente é subordinada à partilha de conhecimentos com os pares e ao trabalho dito colaborativo. O irónico nisto tudo é que vai ser o próprio clima de competição desenfreada criado por este modelo a liquidar quaisquer veleidades de partilha de conhecimentos ou de trabalho colaborativo entre pares que pudessem subsistir.

A subvalorização da competência científica e pedagógica do professor e do seu trabalho com os alunos torna-se também evidente quando dimensões como a “vertente profissional, social e ética” ou a “participação na escola e relação com a comunidade educativa” têm na classificação de cada professor um peso praticamente equivalente (em certos casos, até pode ser superior) à dimensão “desenvolvimento do ensino e da aprendizagem”.

Vem a talhe de foice referir que a manutenção do carácter rigorosamente confidencial das classificações finais de cada professor revela a convicção da tutela dos efeitos arrasadores que poderiam advir do conhecimento de quem foi contemplado com os ambicionados Muito Bons e Excelentes. Com estes padrões do desempenho docente, até nem admira …

  1. 5. As garantias de defesa contra classificações injustas são, se possível, ainda menores.

Foi mantida a farsa da entrevista individual entre avaliado e relator, que apenas serve dois propósitos: limitar as possibilidades de defesa do avaliado, já que este, se tiver relutância em ficar frente a frente com o seu relator ou falhar a entrevista, não terá outro remédio senão aceitar a classificação que lhe foi atribuída; permitir ao relator fundamentar melhor (sem mudar a nota, bem entendido) a sua proposta, antecipando nela a resposta aos argumentos do avaliado, se este vier posteriormente a reclamar.

Quer tenha ou não havido antes entrevista individual, os relatores apresentam as propostas de classificação a um júri de avaliação, presidido pelo director e em cuja composição entram, além do relator em questão, três membros docentes do Conselho Pedagógico.  É este júri que toma a decisão final.

Tendo em conta que os professores do Conselho Pedagógico são nomeados pelo director e que o próprio relator foi escolhido por um coordenador nomeado pelo director, é inquestionável que será este último (em boa verdade) a decidir qual a classificação que cada professor recebe. É caso para perguntar se não seria melhor que a entrevista individual fosse com o próprio director?

De qualquer modo, e ao contrário do que sucedia com o modelo de 2007, quando o avaliado recebe a ficha de avaliação global de desempenho, esta já não traduz apenas a opinião isolada do seu relator, mas transporta consigo toda uma chancela institucional.

Por outro lado, enquanto no anterior modelo, o avaliado inconformado com a classificação podia reclamar, sendo o avaliador obrigado a pedir um parecer vinculativo à comissão de coordenação de avaliação de desempenho, entidade que (em princípio) nada tinha a ver com a decisão, agora a apreciação da reclamação cabe unicamente aos mesmos que tomaram a decisão reclamada.

Mas ainda há mais … Se a classificação for mantida (e alguém duvida que o seja?), o avaliado tem ainda obviamente a possibilidade de recorrer. No modelo anterior, a apreciação do recurso cabia ao respectivo director regional de educação, hierarquicamente superior ao director da escola. Agora, aparece um júri de três membros, presidido por elemento designado pela direcção regional de educação (é evidente que esta pedirá ao director que sugira alguém) e dele fazendo parte o próprio relator (não é engano!). Como pode alguém decidir o recurso que recaiu sobre a sua própria decisão?

Talvez para disfarçar, é concedida ao recorrente a possibilidade (resta saber se o vai conseguir …) de indicar um outro professor, de uma escola do mesmo concelho ou de concelho limítrofe. Esta engenhosa disposição sugere também que possa não haver nenhum docente da própria escola que queira correr o risco de representar o recorrente.

Em todo o caso e para além do desenlace do recurso ser por demais evidente – até porque classificação, reclamação e recurso são decididos no interior do mesmo círculo de pessoas e provavelmente no mesmo lugar – mais uma vez é patente o desprezo de quem elaborou estas normas, pelas leis gerais que regulam os princípios da justiça, da transparência e da imparcialidade que devem presidir a todos os actos de um Estado de Direito.

Não cremos que esta enumeração dos aspectos mais sinistros do actual modelo tenha sido exaustiva. Esperamos contudo que possa ter servido para levar muitos professores a relançar a discussão. Se em 2008 a luta foi inevitável, mesmo para aqueles que inicialmente não se tinham apercebido das ameaças sobre a nossa dignidade profissional, sobejam agora razões para travar esta versão ainda mais perversa da avaliação do desempenho. Antes que se consolide. Antes que seja tarde demais …

Ana Paula da Silva Correia e José Rodrigues Ribeiro (Esposende)

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Não é novidade mas apeteceu-me refrescar a memória para…

As DEZ estratégias de manipulação através da comunicação social de Noam Chomsky. Os “ornamentos” a vermelho são meus…

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto ‘Armas silenciosas para guerras tranquilas’)”.

NOVELAS, TALK SHOWS, FUTEBOL e, para a juventude, os ÍDOLOS e outros quejandos…

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.

Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

GRIPE A, TERRORISMO ISLÂMICO, CRISE ECONÓMICA MUNDIAL, BUROCRACIA…

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

O que se passa com a CARREIRA DOCENTE (!)….

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

A INCOMPETÊNCIA DAS CÚPULAS PORTUGUESAS PARA TUDO O QUE NÃO SEJA O PROVIMENTO DO SEU PRÓPRIO SUSTENTO JÁ É ENCARADA COMO UMA FATALIDADE…

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

A MENSAGEM DE INÍCIO DE ANO LECTIVO DE ISABEL ALÇADA FAZ-VOS LEMBRAR ALGUMA COISA??…

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

DESENVOLVIMENTO (Bacoco), PROGRESSO (Quimérico) NOVOS PARADIGMAS  e o SUPERIOR INTERESSE NACIONAL que, por coincidência, nunca coincide com os INTERESSES DOS NACIONAIS, diga-se PORTUGUESES…

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

UM MAU SISTEMA DE ENSINO, RECHEADO DE NOVAS OPORTUNIDADES E DE PROFESSORES A PREENCHER PAPELADA E A FREQUENTAR REUNIÕES, ATÉ DÁ MUITO JEITO… CIDADÃOS CULTOS E LIVRES-PENSADORES? NEM PENSAR!… DEMASIADO PERIGOSO!

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.

Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

…OU ENTÃO SER TUDO ISSO MAS LEVANDO AS PESSOAS A PENSAR QUE SÂO ESPERTAS, ESPECIAIS  E CULTAS… CINCO ESTRELAS!…

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

SOMOS OS CAMPEÕES NOS ANSIOLÍTICOS E ANTIDEPRESSIVOS A NÌVEL EUROPEU…

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

ISTO, JÁ NÃO SEI… MAS LÁ QUE TENTAM, À ISSO TENTAM!

Este texto veio parar à minha caixa de correio, numa daquelas mensagens redireccionadas cuja proveniência original não é identificada. Achei piada ao conceito e, com as devidas adaptações na linguagem, resolvi compor o aspecto gráfico de modo a obter qualquer coisa que fosse digna da afixação numa sala de professores, por exemplo…

Como já tinha escrito, não me apetece fazer greve no dia 24 de Novembro só para engrossar a contabilidade estatística das organizações sindicais que, pelas razões de já referi, não me merecem especial crédito – e que me desculpem as pessoas de bem que estão envolvidas nos sindicatos e mais os ingénuos que acham que podem mudá-los por “dentro”. Obviamente, também não me apetece ficar quieto e acredito que muita gente também não quererá…

Então que fazer? Mostrar descontentamento, de forma autónoma mas concertada e em grupo, pode ser um bom caminho. Não tem de haver manifestações, no sentido clássico do termo, para que haja protesto. Era bom que conseguíssemos mostrar que nós, cidadãos, nos conseguimos organizar para produzir algo, sem depender de uma estrutura implantada e politicamente comprometida. Podemos todos trabalhar para o mesmo, ainda que de forma diferente e isso é bom e saudável.

São precisas ideias. É preciso pensar criativamente – aquela coisa que dá trabalho, sabem? – Sabem com certeza e eu também faço o meu mea culpa porque muitas vezes tenho mais que fazer, como todos vós. Proponho assim que se faça um “brainstorming” para reunir e debater ideias para realizar acções que mostrem o nosso descontentamento e a nossa determinação. De acordo com o conceito de brainstorming,a finalidade é reunir ideias, expô-las e debatê-las. Podem não fazer muito sentido numa primeira leitura, mas o que se pretende é que a criatividade flua e que seja possível associar ideias e refiná-las numa fase posterior. A caixa de comentários está à vossa disposição… Entretanto, vou actualizando este post com ideias que me venham surgindo.

Um símbolo apropriado?

Numa altura em que se antevê que a classe média – o que resta dela – irá receber um golpe de tal maneira brutal em 2011 que é de prever a sua extinção a breve prazo, a ideia de Portugal como um estado-nação gerido pela sociedade civil está em perigo. Um dos símbolos da nação é a bandeira. Se o Scollari nos levou a por a nossa bandeira hasteada em tudo o que era lado, porque não, nesta altura crítica, hastear a bandeira nas varandas ou outro local que  seja considerado apropriado, mas com o acrescento de uma faixa negra, em sinal de luto? Basta cortar uma faixa, enrolar e prender com alfinete…

Vamos a votos! (Calma, ainda não são as legislativas antecipadas… é só aqui para o PG)

Uma sondagem, meio a brincar, meio a sério. Podem assinalar mais do que uma ideia mas só podem, claro está, votar uma vez.

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Alguém de entre vós já viu o governo de Sócrates ficar REALMENTE incomodado com alguma greve ou mega-manifestação que tenha ocorrido nos últimos seis anos, a ponto de mudar algo, por pequeno que seja nas suas políticas (tirando a última greve dos camionistas)? Alguma reivindicação séria foi REALMENTE atendida, fruto das manifestações, greves ou habilidade negocial dos sindicatos (os que ainda mexem, porque alguns só aparecem quando surge a oportunidade de cavalgar uma onda iminente de descontentamento)?? Não perguntem aos sindicatos. Perguntem a vocês próprios! Numa situação que é grave, está convocada mais uma greve, desta vez “geral”, que fará as delícias sindicalistas no reforço da auto-ilusão de que eles próprios ainda servem para alguma coisa, e mais; o reforço da auto-ilusão de que muita gente ainda não tenha dado por isso…

O resto é festa… é catarse. O que nós precisamos é de acção bem dirigida, com a atitude correcta, ao serviço daquilo que consideramos justo e não ao serviço de grupos, sindicais ou corporativos, que muito bem tentam manipular as massas em seu benefício (até pareço um anarquista a falar mas foi sem intenção…). Catarse colectiva, festa e comício já tivemos, muito obrigado! E a bem dizer, uma greve como as outras, nesta altura de penúria, servirá para alguma coisa?

Credibilidade é o bem mais precioso e escasso no panorama político nacional, neste momento. O governo não tem e os sindicatos também não. E entre fazer qualquer coisa e não fazer nada, engrossamos as estatísticas favoravelmente a um ou ao outro. Quanto à greve de 24 de Novembro só digo isto: talvez faça, mas a 23 ou a 25… a 24, duvido!

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Permitam-me os meus poucos (mas presumo, bons) leitores, este discurso algo pessoal:

Há alguns anos a esta parte tenho experimentado um sentimento de revolta pelo modo como a governação do país tem sido conduzida e o seu património delapidado e sugado por uma elite que só o é por força de circunstâncias políticas favoráveis, raramente por mérito ou dedicação à causa pública. Estou entre aqueles que usando apenas de comum bom senso percebiam que o desenvolvimento da situação social e económica nos últimos 15 anos (para dizer no mínimo) em Portugal, tendia para o desfecho que agora começamos a vislumbrar. Os motivos pelos quais nos deixámos arrastar até aqui penso que se devem à nossa mentalidade intrínseca de pouca exigência, laxismo e preguiça. Nós, portugueses, até conseguimos ser exigentes, diligentes e afoitos; mas mais com os outros do que connosco próprios. Por muito maus que sejam os nossos governantes eles são o nosso espelho enquanto povo no sentido em que, como colectivo, fomos nós que os elegemos. O leitor poderá dizer que não votou neste ou naquele e portanto, não se sente responsabilizado… O problema é que a sociedade se constrói pelo todo e esse todo é sempre maior do que a soma das partes. As visões de cada um, se bem que saudavelmente divergentes, devem apontar para o bem comum. Isso pura e simplesmente não acontece na sociedade portuguesa actual.

Nesse aspecto, dificilmente poderemos ser considerados como uma nação. Se o somos é apenas de modo formal, porque não somos outra coisa diferente. Como temos de ser qualquer coisa, então somos portugueses. Tirando as ligações de afinidades e amizades e as ligações familiares que todos preservamos, pouco nos une para além da língua e do espaço territorial que ocupamos. Não é pouco mas também não chega. Não existe qualquer desígnio nacional sério ou credível. Somos um conjunto de indivíduos a tentar fazer pela vida…

Ao sentimento de revolta de que falei no início do texto, tentei responder com desenhos, cartazes, textos e outros activismos mais concretos e menos cibernautas, no sentido de agastar o que pensava estar incorrecto, tentando dar o meu modesto contributo para inflectir tudo o que pudesse ser inflectido e mudado para melhor ou, pelo menos, tentar evitar uma mudança para pior.

Estes últimos tempos, em que manifestamente a qualidade das decisões políticas no campo económico, social, educativo, enfim, em todos os campos que realmente interessam, mantiveram uma qualidade sofrível, levam-me a encarar a situação de um outro modo. Já não me preocupo tanto. Porquê? Porque pura e simplesmente já não vale a pena. Isto não é vontade de desistir e baixar os braços, é apenas a constatação, para mim claríssima, de que as coisas vão ter ainda que piorar bastante antes de (espero) começarem a melhorar. Inflectir suavemente é aparentemente impossível!  Mudar pacificamente e voluntariamente as mentalidades? Previlégios adquiridos, oligarquias e corporações? Não me parece.

O tecido social tende neste momento para o colapso, pela mão de uma economia, uma justiça e um sistema de ensino que não funcionam devidamente. Pergunto-me se, a bem do futuro, não será disso que precisamos no presente – um colapso do velho para que algo de novo tenha espaço para surgir.

Para usar uma metáfora informática, Portugal parece um daqueles computadores cheios de vírus e de lixo que já não respondem, independentemente das teclas em que carregarmos. A única solução é fazermos o “reset”, reformatar o disco, desligar a ficha e depois tentar ligá-lo outra vez.

Só espero que seja razoavelmente pacífico… Afinal, seremos ou não um povo de “brandos costumes”?

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Austeridade “não toca na gordura do Estado e nos interesses da oligarquia”

Entrevista a Henrique Neto, no “Público” de hoje, plena de lucidez.

Alguns extractos:

“Pelo que se ficou a saber, certo é apenas que os portugueses pagarão, em 2011 e nos anos seguintes, os erros, a imprevidência e a demagogia acumulada em cinco anos de mau Governo. É por isso que, nestas circunstâncias, falar da coragem do primeiro-ministro e do ministro das Finanças, como alguns têm feito, é um insulto de mau gosto a todos os portugueses que trabalham, pagam os seus impostos e vêem defraudadas as suas expectativas de uma vida melhor. As medidas propostas, sendo inevitáveis, dada a dimensão da dívida e a desconfiança criada pelo Governo junto dos credores internacionais, não tocam no essencial da gordura do aparelho do Estado e nos interesses da oligarquia dirigente. Mas o pior é que estas medidas, pela sua própria natureza, não são sustentáveis no futuro e não é expectável que, com este Governo, se consiga o crescimento sustentado da economia.”

“A consolidação das contas públicas é uma condição necessária mas não suficiente. Apenas o crescimento sustentado da economia abrirá novas perspectivas aos portugueses. Mas, neste domínio, José Sócrates iludiu, durante cinco longos anos, todos os reais problemas da economia através de um optimismo bacoco e inconsciente.
Não o fez apenas por ignorância, mas para servir os interesses da oligarquia do regime, através da especulação fundiária e imobiliária, das parcerias público-privadas, dos concursos públicos a feitio, das revisões de preços e de uma miríade de empresas, institutos, fundos e serviços autónomos, além das empresas municipais. Regabofe pago com recurso ao crédito e sem nenhum respeito pelas gerações futuras.”

Entrevista completa aqui:

De que se queixam??

Posted: 30/09/2010 in Indignação

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Então agora é que é o -Ai, Jesus!? Vão cortar isto e aquilo, etc. e tal ??

Qualquer um que não fosse cego nem andasse (muito) anestesiado com futebol ou novelas podia facilmente prever esta situação. Isto há muito que se desenha no horizonte, apesar destes senhores terem a lata de nos venderem a contingência como se fosse uma fatalidade exterior, uma catástrofe da natureza surgida de repente por causa dos malandros dos especuladores… Por isso, quando estes governantes de alto calibre que temos nos vierem falar de sacrifícios pela nação e etc, mando-os bugiar. Depois de terem delapidado o estado e o país com as suas más decisões e negligência grosseira, não têm pingo de credibilidade.

Enquanto estes senhores lá estiverem (no poleiro), se me pagarem menos, trabalho menos. Porque sempre senti que nunca estive a trabalhar para mim, para os meus ou para o bem comum mas sim para uma chusma de eleitos que malbarataram o meu trabalho e os meus impostos.

Pois vão bugiar!  Se tivéssemos os ditos no sítio, processávamos criminalmente toda esta gente por negligência grosseira, como vai acontecer com o antigo 1º ministro da Islândia. Isto, se a Justiça da Nação funcionasse, claro está…

Mas o mais engraçado é que me palpita que nas próximas presidenciais o economista de Boliqueime vai ser reconduzido e se o engenheiro não voltar a ganhar nas legislativas, deve ser por pouco… Eta, povo fiel!!

Um Joker!

Posted: 02/08/2010 in Campanhas negras

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Não há limites para a desilusão…

Vamos lá ver se me lembro de uma medida imaginativa e sensata anunciada por esta senhora desde que está à frente dos destinos da educação… Ora, encerramento de escolas com menos de x alunos, possibilidade das criancinhas se candidatarem ao exame do 9º ano sem o terem concluído… ignorância olímpica das aspirações dos professores quanto à avaliação e horários de trabalho… deixa cá ver mais… Ah, sim, agora esta do objectivo do fim administrativo dos “chumbos”  porque as retenções “prejudicam” o sistema (!).

Esta senhora que até parecia tão simpática e ponderada afinal saiu-nos isto, um Joker!! Depressa, chamem o Batman!

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Foi difícil e cansativo manter uma resistência contra um ministério trapalhão e insensível à realidade vivida tanto por alunos como por professores. Agora, os professores têm ainda que arranjar forças e paciência para aguentar a complacência (leia-se incompetência) com que os sindicatos assistem inpávidos e serenos (se exceptuarmos aquelas declarações pirotécnicas de indignação dúbia para a imprensa e as manifestações da praxe) a todo o rol de medidas que vão sendo aprovadas e implementadas pela cartilha do neo-liberalismo economicista que rege este ministério da educação. Num momento que exigia acção firme, concreta e eficaz contra tudo o que foi claramente rejeitado pelos professores, desde a avaliação nos termos que corre, à gestão escolar, passando pelo nova questão dos mega-agrupamentos e dos concursos, os sindicatos demonstram uma clara falta de apetência para representarem não só os interesses dos professores (é para isso que cá estão, não tenhamos pruridos), como também os interesses do ensino público em geral.

Sobre o momento em que professores e sindicatos estiveram em uníssono na defesa de posições que eram justas e sobre o seu esvaziamento por falta de pulso e de estratégia já muito se escreveu e não vale a pena insistir no assunto. O que interessa é pensar como será o futuro pois a realidade crua e dura é que os professores se sentem abandonados.

Não gostaria que quem lesse estas frases ficasse com a ideia de que este é um discurso bota-abaixista, sem intenção construtiva de alternativas. Mas o que é certo é que para existir essa vontade de reformular construtivamente o ensino público é indispensável primeiro que existem sinais claros de recuo e inversão desta mentalidade gangrenosa que se instalou nos responsáveis actuais pelo ensino. Não é a razoabilidade das propostas alternativas que irá demover os actuais responsáveis. Já temos este facto mais do que provado. Infelizmente, é preciso derrubar primeiro para construir a partir daí, quase da “estaca zero”. É o preço a pagar pela complacência de todos nós…

Um artigo sobre esta questão:

Concurso 2010/11 – Uma Página Negra do Sindicalismo Docente – APEDE


Matrioska!

Posted: 12/06/2010 in Campanhas negras, Políticos

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Este post é um pouco diferente do habitual… Não tem cartaz ou ilustração. É apenas um relatar de impressões.

Estava eu hoje de manhã a dar uma vista de olhos pela blogosfera, visitando os blogues dos “tempos heróicos” da resistência contra as políticas governamentais para a Educação; Umbigo, Profblog, Promova, Mup, APEDE e etc., quando deparo com o post do Kaos com um  título mais que perfeito: “Passeio pela Avenida”. Tal como ele, também eu tive a noção de que no sábado não fui lá fazer outra coisa senão passear… Cheguei pela lateral na avenida da Liberdade e esperei que passassem os professores para me integrar no corpo da manifestação e lá fui eu. Foi agradável e catártico; falei com velhos conhecidos da APEDE e do MUP. Trocámos desabafos…

Pendurados nos postes da avenida estavam já os cartazes das festas de Lisboa que irão começar dentro de dias. Nesses cartazes figuram imagens estilizadas com umas sardinhas antropomórficas. Não pude deixar de sorrir pois senti-me exactamente como uma sardinha alegre e contente a descer pela avenida abaixo… Tive a nítida sensação de que poucos dos que lá estavam acreditavam na utilidade da sua presença enquanto agentes de protesto. Nem os representantes partidários, nem os trabalhadores e professores e nem sequer os sindicatos encararam aquele evento como outra coisa que não fosse uma “prova de vida”; dizer a toda a gente, para fora e para dentro que “estamos vivos” e a fazer aquilo que sabemos fazer da mesma maneira e com os mesmos resultados de sempre. Foi penoso ouvir aquelas frases entoadas pelos pregoeiros de serviço; forma e conteúdo exangues da mais ínfima porção de criatividade, a repetição sincopada e mecânica. O ambiente era de protesto ameno e coreografado com a sofisticação de um baile de aldeia. Tudo se desenrolou mais de acordo com um comício-festa do que com uma manifestação de protesto, o que não deixa de ser estranho, numa altura em que nunca houve tantas e tão legítimas razões para protestar…

E a minha questão é: se é difícil para os próprios intervenientes terem confiança na eficácia da manifestação em que acabam de participar que tipo de atenção é que podem esperar receber das esferas do poder para com os seus pontos de vista? Que tipo de “mossa” poderá fazer um protesto destes nas convicções monolíticas daqueles que nos (des)governam? Nenhuma.

Por isso, esqueçam as contagens. Não interessa se foram 300, 200 ou 100 mil. Os números já não interessam. Quem, no caso dos professores, conseguiu reunir 120 mil e com esse feito não conseguiu nada já devia ter percebido que o caminho não era por aí. Não será pelo músculo mas sim pelos miolos que nós, porventura, poderemos conseguir uma mudança de atitude. E já agora, digam-me lá:  será que com governantes trapalhões e com uma certa tendência para a incompetência como são os nossos não haverá ninguém de entre as nossas fileiras que chegue para eles? Não haverá ninguém com ideias de resistência e de protesto que sejam inovadoras e eficazes? É evidente que sim!

Enquanto acabava a minha volta pela blogosfera, eis que recebo por mail, um trabalho de uma aluna minha para comentar. O trabalho tinha por título “Mudar de Vida”. Outro título certeiro, embora num outro contexto! Mudar de vida é o que temos de fazer no que respeita à forma de exercer a cidadania e o direito ao protesto.

Ideias precisam-se!!

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Temos de ir, mesmo sem apetecer muito engolir a costumada coreografia sindical. Porque calados e parados é que não…

Faço minhas as palavras divulgadas pela APEDE em:

“Razões para apoiar a Manifestação de 29 de Maio”

Porque temos sofrido, nos últimos vinte anos de governação, todo um conjunto de opções políticas, no domínio económico-financeiro, que apenas agravaram as insuficiências estruturais de Portugal, criando uma ilusão de desenvolvimento que se vê agora dramaticamente desmentida;

porque essas escolhas desastrosas, de que os Governos foram principais responsáveis, acompanharam o aprofundamento das desigualdades sociais entre os pobres, a classe média e os muito ricos, o aumento exponencial da corrupção e do tráfico de influências, a promiscuidade entre o sistema político-partidário e a esfera dos negócios privados, bem como a reinstauração de monopólios que alimentam os interesses de uns poucos, sem quaisquer vantagens para a economia nacional;

porque o nosso país continua à espera das reformas necessárias no campo da Educação e da Justiça, sem as quais continuaremos na cauda da Europa;

porque os dois principais partidos, que têm partilhado a governação deste país, estão hoje reduzidos a agências de emprego para políticos medíocres e carreiristas, com vergonhosos percursos pessoais, que não os têm, contudo, impedido de ascender a cargos de elevada responsabilidade, nos quais tomam, de forma sempre impune, decisões que hipotecam o futuro de Portugal;

porque são esses políticos, ao serviço de um mundo empresarial dependente de relações promíscuas com o Estado, que agora recorrem à receita invariavelmente seguida, sobrecarregando os trabalhadores com todos os encargos da crise e poupando os que, tendo-a gerado, mais lucraram com ela;

porque nenhuma das gravosas medidas agora impostas irá contribuir para ultrapassarmos, de forma duradoura e sustentada, a crise em que nos mergulharam, prevendo-se, pelo contrário, que a recessão seja acentuada, que o desemprego aumente ainda mais e que o endividamento continue a crescer;

porque toda esta política está desenhada para minar e destruir direitos sociais e laborais conquistados no decurso de décadas de lutas difíceis e duras;

porque é tempo de juntar os trabalhadores de todos os sectores profissionais, públicos e privados, para dizer BASTA;

porque é tempo de unir trabalhadores efectivos e contratados, empregados e desempregados, na certeza de que TODOS se encontram hoje precarizados e de que os direitos de uns são os direitos de TODOS;

porque é tempo de exigirmos uma inversão de políticas que não penalize os que sempre são penalizados e que responsabilize quem tem efectivamente de ser responsabilizado;

a APEDE apela a que TODOS participem na Manifestação do dia 29 de Maio, sem, contudo, deixar de manifestar o seu profundo descontentamento com a forma como as cúpulas sindicais têm vindo a conduzir o processo de luta dos professores, alienando aquela que deveria ser a sua base de apoio, assinando um acordo com o Ministério que preserva uma série de bloqueios graves na nossa profissão e enredando-se em contradições escandalosas no que toca ao concurso de colocação de professores.

Por isso, vamos estar na Manifestação de 29 de Maio sem abdicarmos da nossa atitude crítica, onde se destaca a exigência de um plano de luta consequente para os professores, com uma auscultação rigorosa às bases e total independência de interesses políticos-partidários.”

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E já agora, se ainda não leram, entretenham-se com (mais) esta lapidar crónica de Santanha Castilho: aqui.

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…porque mudou completamente nos últimos 15 dias!

Quem faz afirmações destas está absolutamente convicto de que tem como governados uma troupe de papalvos.

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Mas, por outro lado, os portugueses elegeram-no e portanto, merecem-no… A questão é que muitos portugueses se estão pura e simplesmente nas tintas para Portugal, está visto!

Não basta estarmos sujeitos à subjectividade inerente a ser avaliados pelos nossos pares. A questão das cotas continua a minar o pouco que resta da credibilidade deste sistema dito de avaliação docente. Então não é que um professor, por pertencer a uma qualquer comissão de avaliação ou por ser avaliador tem uma quota específica? Isto para não falar nos membros da direcção… Foi um fartar vilanagem de Muito Bons, mesmo para aqueles que não tiveram aulas assistidas e portanto não foram avaliados na componente científico-pedagógica. Haja coragem para combater isto porque vergonha não há nenhuma!

Descarregar o cartaz aqui

Texto de um artigo publicado no blogue da APEDE sob a forma de um cartaz para descarregar e afixar na sala dos professores…